GOIÂNIA — O imóvel onde funcionou o Hospital Santa Genoveva começa a ser leiloado nesta quinta-feira, 1º, com lance mínimo de R$ 28,27 milhões. O complexo fica na Avenida Concórdia, no Setor Santa Genoveva, e será vendido como um único lote no processo de falência do Grupo Hospital Santa Genoveva.
A propriedade ocupa um terreno de 53.321,46 metros quadrados e tem cerca de 11,8 mil metros quadrados de área construída. A estrutura ainda conta com bloco cirúrgico, salas de terapia intensiva, radiologia, apartamentos, laboratório, lactário, banco de sangue e áreas de apoio.
Etapas do leilão
A primeira chamada começa às 15h30 desta quinta-feira e recebe propostas até 5 de outubro. Sem arrematação, a segunda etapa terá lance mínimo de R$ 14,135 milhões, equivalente a 50% do valor de avaliação, e seguirá até 20 de outubro.
A terceira chamada vai até 5 de novembro. Nessa fase, serão aceitos lances de qualquer valor, que ficarão sujeitos à análise do Judiciário. O pagamento poderá ser feito à vista ou de forma parcelada, conforme as condições do edital. A comissão do leiloeiro será de 6% do valor da arrematação.
O leilão ocorre exclusivamente pela internet, na plataforma do Leilões Brasil, sob responsabilidade do leiloeiro oficial Antônio Brasil II. O imóvel será alienado livre de ônus, e o comprador não assumirá as obrigações do devedor, incluindo débitos tributários, trabalhistas e acidentários, conforme o edital e a Lei de Recuperação Judicial e Falências.
Marco da medicina goiana
O Hospital Santa Genoveva está fora de funcionamento, mas foi palco do primeiro transplante de coração realizado em Goiás, em 1992. A cirurgia ocorreu em fevereiro daquele ano e foi feita no paciente Antônio Justo Moya, então com 44 anos. O procedimento começou durante a madrugada e terminou por volta das 6h, com a participação de cerca de 50 profissionais.
O coração transplantado pertencia a Bernardino Tavares Bezerra, de 22 anos, que sofreu um acidente de motocicleta e teve morte cerebral. A retirada do órgão e o transplante foram realizados no mesmo dia. A coordenação ficou a cargo do cirurgião cardiovascular Aleksander Dobrianskyj.
Moya recebeu alta 23 dias depois da cirurgia. Em abril de 1992, dois meses após o transplante, relatava recuperação e levava uma vida praticamente normal.
Antes disso, em 1970, a unidade havia realizado a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea em Goiás. O serviço de hemodinâmica foi implantado em 1974. O hospital começou a ser projetado na década de 1960 pelo médico Francisco Ludovico de Almeida Neto e chegou a reunir mais de 200 médicos, cerca de 300 funcionários e 150 leitos.
A unidade deixou de atender pacientes entre 2016 e 2017. O processo de falência tramita na 21ª Vara Cível de Goiânia, e a venda judicial busca transformar o patrimônio em recursos para o processo.








