A Polícia Civil do Paraná apreendeu documentos e equipamentos de informática, incluindo notebooks, durante uma operação que investiga possível apropriação ou desvio de donativos destinados às vítimas do tornado em Rio Bonito do Iguaçu. Os mandados foram cumpridos nesta quarta-feira (2), em um barracão reservado pela prefeitura e na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social.
A investigação é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Laranjeiras do Sul, que apura a possível prática de peculato. O tornado matou seis pessoas no município, no final do ano passado, e deixou centenas de feridos.
Segundo a Promotoria, os materiais recolhidos serão submetidos a análise técnica. A medida pode ajudar a localizar relatórios de inventário, cadastros socioassistenciais e registros ligados aos donativos entregues às vítimas.
A apuração começou em agosto, após o Ministério Público receber informações de que um veículo oficial de Rio Bonito do Iguaçu teria transportado materiais doados até um endereço residencial em Laranjeiras do Sul.
A prefeitura, administrada por Sezar Bovino (PSD), afirmou que a destinação das doações foi feita corretamente e que “eventuais divergências serão devidamente esclarecidas no decorrer da investigação”. A administração também disse que tentou “acolher e atender as famílias que mais necessitavam naquele momento”.
Em nota, o município declarou respeitar a atuação independente das instituições de investigação e controle, mas afirmou ter recebido a operação com surpresa, porque sempre teria fornecido as informações solicitadas ao Ministério Público e às autoridades competentes.
Classificado como F4 na Escala Fujita, o tornado teve velocidade estimada entre 332 km/h e 418 km/h. O fenômeno danificou ao menos 1.500 imóveis, dos quais mais de 30% foram completamente destruídos. A cidade tem cerca de 14 mil habitantes e recebeu doações de empresas, entidades, pessoas físicas, além de recursos dos governos federal e estadual.








