SÃO PAULO — Um laudo complementar anexado à investigação da morte da soldado Gisele Alves Santana afirma que os vestígios encontrados no apartamento onde ela foi baleada afastam a hipótese de suicídio. O documento foi elaborado pelo Núcleo de Perícias em Crimes Contra Pessoa, do Instituto de Criminalística, a pedido da defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de feminicídio.
Gisele, 32, foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento em que morava, no Brás, região central de São Paulo. Neto estava no imóvel e, ao comunicar o caso, afirmou que a esposa havia cometido suicídio. Ele nega o crime e pediu aposentadoria após o episódio.
O laudo complementar tem 15 páginas e reúne respostas da perita Amanda Rodrigues Marinone a questionamentos apresentados pelo advogado Eugênio Malavasi, que defende Neto. O documento foi enviado na terça-feira (1º).
Ao responder sobre os vestígios usados para diferenciar um homicídio de um suicídio, Amanda afirmou que nenhum elemento permitiu descartar a participação de uma segunda pessoa na morte. A perita também declarou que a análise dos padrões de manchas e de outros elementos objetivos identificados no local contradiz a hipótese de suicídio.
A perícia considerou a posição das manchas de sangue e os demais vestígios documentados. Marcas de agressão no rosto de Gisele foram confirmadas por exame complementar após a exumação do corpo. As contradições no depoimento do marido também foram apontadas como elementos usados para determinar a prisão do tenente-coronel.
Investigação e prisão
Segundo a perícia, Neto teria atirado na cabeça de Gisele, alterado a posição do corpo e colocado a arma na mão do cadáver. Ele também desrespeitou uma ordem para não tomar banho, medida relacionada à preservação de possíveis vestígios de sangue.
Após a prisão, a defesa afirmou que a ordem da Justiça Militar era ilegal, por ter sido emitida por uma autoridade sem competência para julgar crimes comuns como feminicídio. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o caso será julgado em uma vara do júri.
No final de agosto, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca manteve a prisão preventiva de Neto. Relator de um pedido de habeas corpus, ele apontou risco de interferência na produção das provas e indícios de tentativa de eliminar vestígios e alterar o local onde Gisele foi encontrada morta.








