O candidato ao Governo do Distrito Federal Kiko Caputo (Novo) voltou a cobrar a divulgação das demonstrações financeiras do Banco de Brasília (BRB) durante o último debate antes do primeiro turno, realizado na noite desta terça-feira (29). A governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, não participou do encontro.
Caputo afirmou que a falta de informações impede a sociedade de conhecer a situação financeira completa do banco. Na página de Relações com Investidores, o BRB disponibiliza demonstrações consolidadas em IFRS somente até o primeiro trimestre de 2025.
“A candidata Celina já confessou o crime. Ela não publica o balanço do banco porque ela sabe que o balanço está negativo e o banco quebrou”, disse Kiko. O candidato também questionou o tamanho do possível prejuízo e defendeu a responsabilização de envolvidos nas operações investigadas entre o BRB e o Banco Master.
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou o bloqueio cautelar de bens de ex-dirigentes do BRB, limitado a R$ 2,76 bilhões. O processo foi convertido em Tomada de Contas Especial para aprofundar a apuração de responsabilidades e de eventuais prejuízos ao patrimônio público.
Críticas ao acordo de crédito
Kiko também atacou o acordo que abriu caminho para uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Os recursos serão destinados ao Distrito Federal para posterior aporte de capital no BRB. O acordo envolve o Distrito Federal, a União, o Banco Central e o banco, e foi homologado no Supremo Tribunal Federal.
Segundo o candidato, os compromissos podem dificultar novas admissões e mudanças nas carreiras de áreas como saúde, educação e assistência social. O acordo prevê medidas de ajuste fiscal com base nas vedações do artigo 167-A da Constituição, incluindo restrições à criação de cargos com aumento de despesas, alterações de carreira, reajustes e determinadas contratações.
As regras não impedem todas as contratações. A Constituição prevê exceções, como reposições decorrentes de vacância de cargos efetivos e contratações temporárias para necessidade excepcional.
Explicação de Celina
Em 18 de setembro, Celina afirmou que o atraso na publicação do balanço tinha natureza técnica e financeira, e não relação com o calendário eleitoral. Ela disse que a divulgação após a operação de crédito permitiria apresentar um balanço “mais saudável” e afirmou que a decisão cabe ao próprio BRB, que tem autonomia administrativa.
O BRB informou oficialmente em maio que o acordo busca viabilizar uma operação de crédito para fortalecer sua estrutura de capital. No debate, a ausência de Celina deixou as críticas de Kiko e dos demais adversários sem resposta direta no encontro.









