O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu do filho, Flávio Bolsonaro, o livro Metanoia – A Chave está em sua mente, de JB Carvalho, três dias depois de ser preso em uma cela da Polícia Federal. A obra critica os santos católicos e apresenta a devoção a Nossa Senhora como resultado da incorporação de elementos pagãos pelo cristianismo.
Carvalho é pastor e líder da Comunidade das Nações, igreja frequentada por Flávio Bolsonaro, Fernanda Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. No capítulo “Guerra Cultural”, ele afirma que os deuses do paganismo teriam sido apresentados como santos após a expansão do cristianismo pelo Império Romano.
“os deuses pagãos disfarçados de santos católicos”, escreve o pastor no livro, ao defender a ideia de que práticas e divindades antigas foram assimiladas pela tradição católica. Em outro trecho, Carvalho diz que o cristianismo teria recebido uma mensagem adulterada pelo “inimigo” e relaciona essa alteração ao gnosticismo.
A obra também contrapõe a cultura católica medieval à Reforma Protestante. Carvalho afirma que, para os católicos medievais, o trabalho era visto como castigo, enquanto os protestantes o consideravam uma vocação para a vida.
Críticas a Nossa Senhora Aparecida
JB Carvalho também é autor de A Bomba – A verdade pode ser explosiva. No livro, publicado em 2001, ele defende a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil e classifica a imagem como uma entidade maligna. A obra associa a devoção à santa a uma fraude e a um engodo.
Em culto na Comunidade das Nações, Carvalho voltou a criticar a devoção às imagens. “O que Deus denuncia é a fraude de quem transforma a adoração em uma representação”, afirmou em um trecho publicado pela igreja no Instagram.
O teólogo, pastor e licenciado em história Zé Barbosa Jr. analisou os escritos e afirmou que a linguagem usada nos vídeos suaviza o conteúdo do livro. Na obra, Carvalho chama Nossa Senhora de “Deusa da promiscuidade” e atribui ao culto à padroeira diversos problemas do Brasil.
O pastor também convoca cristãos a rejeitar Nossa Senhora como senhora da nação e a reconhecer Jesus Cristo como único Senhor no Brasil. Em outro trecho, relaciona a devoção à santa a episódios como recessão, inflação, secas, enchentes e criminalidade.








