Márlio Raposo Dantas deixou uma marca espalhada pela paisagem de Santos, onde projetou a grande maioria de cerca de 150 prédios e casas ao longo da carreira. O arquiteto morreu aos 90 anos, de parada cardiorrespiratória, em 11 de agosto.
Em 1978, ao abrir a DRM Construções, passou a destacar o próprio nome nas placas das obras. A ideia, dizia, era valorizar a profissão dos arquitetos. Entre seus projetos estão o Universo Palace, conhecido pela boate Pink Panther, e o Vila Rica Center.
Obras que viraram referência
Em Santos, seus edifícios se tornaram pontos de referência, memória afetiva e também alvo de polêmica. Um deles é o Nilo Branco, conhecido como o “prédio amarelo”, em frente ao Museu do Café.
Márlio tinha especial apreço pelo Lex Urbis, prédio de escritórios no centro da cidade, com quebra-sóis verdes e azuis. O edifício, localizado atrás da catedral, também esteve entre os primeiros da região com elevador panorâmico.
A família do arquiteto afirma ter conhecido ao menos duas pessoas jovens cujo nome foi inspirado no dele, formado pela junção de Maria das Dores e Júlio, seus pais. O último Censo registra 327 Márlios no Brasil e 19 no estado de São Paulo.
Formação e vida pessoal
Nascido em Olinda (PE), Márlio iniciou a formação em arquitetura no Recife e concluiu o curso no Rio de Janeiro. Trabalhou com colegas como Burle Marx e colaborou em projetos conhecidos, entre eles o do aterro do Flamengo.
Ele se mudou para Santos em 1962, por sugestão do padrasto. Em 2009, foi para a Casa da Pitaya, residência projetada por ele nos anos 1980, em Cunha, no interior paulista.
Professor da Unisanta (Universidade Santa Cecília) de 1997 a 2012, era descrito como disciplinado, técnico, criativo e rígido. Também era conhecido por contar histórias e cobrar mais “molho” nos projetos dos alunos.
Segundo a filha, a arquiteta Flávia Neves Dantas, Márlio era caseiro, cultivava pitayas e lichias e gostava de cantar bossa nova para os familiares. Saía pouco, mas levava a família à Bienal de Arte de São Paulo. Deixou mulher, 4 filhos, 9 netos e 1 bisneta.
O Docomomo classificou Márlio como nome essencial da arquitetura moderna do litoral paulista. Para a organização, ele “Imprimiu, na paisagem urbana da cidade, uma linguagem própria”.








