Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Pacientes priorizam resultados naturais em meio ao debate sobre harmonização facial
Brasil

Pacientes priorizam resultados naturais em meio ao debate sobre harmonização facial

Busca por intervenções discretas cresce enquanto decisão judicial questiona a atuação de dentistas em procedimentos invasivos na face.

A procura por procedimentos estéticos faciais tem incorporado uma nova preferência: corrigir pontos específicos sem alterar a identidade do rosto. Parte dos pacientes passou a rejeitar lábios muito preenchidos, mandíbulas acentuadas e maçãs do rosto marcadas em favor de resultados menos perceptíveis.

Para a dermatologista Maria Lígia Mendonça, que atua há 14 anos na área, a mudança está ligada à expectativa dos próprios pacientes. Muitos chegam ao consultório querendo preservar os traços e evitar padrões difundidos nas redes sociais.

“Hoje, o paciente chega muito mais consciente do que quer. Ele não quer necessariamente mudar o rosto. Quer melhorar aquilo que o incomoda, mas continuar se reconhecendo no espelho”, afirma.

Debate sobre autorização profissional

A discussão sobre a harmonização orofacial também envolve uma disputa entre entidades profissionais. No dia 19 de agosto, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu anular uma resolução do Conselho Federal de Odontologia que reconhecia a harmonização orofacial como especialidade e autorizava cirurgiões-dentistas a realizar procedimentos estéticos invasivos em toda a face.

A ação começou em 2019 e teve recursos apresentados pelo Conselho Federal de Medicina e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. O tribunal entendeu que uma norma de conselho profissional não poderia ampliar as atribuições de uma categoria além do que prevê a legislação. O processo ainda não terminou. O Conselho Federal de Odontologia informou que pretende recorrer e orientou os profissionais a manter os atendimentos enquanto não houver decisão definitiva.

De acordo com o Global Survey 2024, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, divulgado em 2025, o Brasil ocupou a primeira posição mundial em cirurgias plásticas estéticas. Considerando procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos, ficou atrás apenas dos Estados Unidos. A toxina botulínica aparece entre as intervenções não cirúrgicas mais realizadas.

Avaliação individual e segurança

Segundo Maria Lígia, a reação aos excessos associados à chamada “Instagram face” reforça a busca por tratamentos personalizados. Estrutura facial, proporções, idade, condição da pele e expectativa do paciente devem ser avaliadas antes da intervenção.

A dermatologista afirma que o profissional precisa estabelecer limites quando o resultado desejado puder ficar artificial. “O limite entre o que vai ficar natural e o que vai ficar exagerado tem que ser apurado pelo profissional. Isso não tem preço.”

Os procedimentos injetáveis também envolvem riscos. O ácido hialurônico, por exemplo, pode atingir vasos sanguíneos quando aplicado de forma inadequada. Em situações raras, isso pode provocar complicações graves, incluindo perda de visão.

A formação profissional, o conhecimento de anatomia, a experiência e o preparo para lidar com intercorrências devem pesar na escolha, e não apenas o preço ou a exposição nas redes sociais. A valorização de resultados discretos não elimina a harmonização nem os efeitos mais marcados, mas amplia a convivência entre diferentes expectativas sobre a aparência.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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