Rio de Janeiro, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Paulo Guedes assessorou empresa de cripto alvo da CVM que agora dá calotes
Brasil

Paulo Guedes teve atuação ligada à OnilX, alvo de ordem da CVM e de ações por calotes

Ex-ministro dava palestras, recebia investidores e participou de reuniões da empresa, que nega irregularidades e diz operar dentro da lei.

Paulo Guedes atuou em palestras, consultorias e reuniões estratégicas da OnilX, empresa que prometia rendimentos de até 2,8% ao mês em investimentos em criptomoedas e hoje enfrenta acusações de calote feitas por investidores. O grupo foi alvo de uma ordem de suspensão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e responde a mais de uma centena de processos judiciais.

Investidores afirmam ter confiado milhões de reais à OnilX para aplicações em criptoativos e stablecoins, mas dizem que não conseguem resgatar os valores. Parte deles suspeita de um esquema de pirâmide financeira. A empresa não informou os termos da contratação de Guedes, e o ex-ministro não se manifestou.

A imagem de Guedes foi usada em materiais publicitários da companhia. Em uma publicação de dezembro passado, ele aparece ao lado de Fábio Lino, dono da OnilX, e de executivos da Visa. A legenda descreveu uma reunião estratégica sobre o uso de stablecoins e afirmou que o ex-ministro oferecia “suporte e visão” à empresa. Guedes não consta no quadro societário.

Um casal que processa o grupo para recuperar R$ 876.513,00 declarou ter feito novos aportes depois de participar de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril deste ano. O casal tentou sacar o dinheiro em agosto, sem sucesso. Em outro processo, uma empresa cobra o resgate de R$ 632.183,33 investidos por meio da OnilX.

Mensagens anexadas a essa ação mostram uma assessora afirmando que Guedes “tá dentro da empresa” e que poderia marcar reuniões com ele para investidores interessados em aplicar valores acima de três milhões, quatro ou cinco milhões. A assessora também citou a presença dele para transmitir segurança ao cliente.

Ordem da CVM

Em 12 de janeiro de 2026, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM publicou o Ato Declaratório nº 24.680 e determinou a suspensão imediata de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pela OnilX, sob pena de multa diária.

A autarquia concluiu que o grupo não tinha autorização para intermediar valores mobiliários, atuar como assessor de investimentos ou captar recursos. Pareceres técnicos apontaram contratos com promessa de rentabilidade fixa diária ou mensal e operações de arbitragem em moedas estrangeiras no mercado de balcão, características de Contratos de Investimento Coletivo sujeitos à regulação federal.

Anne Caroline Marciquevik, ex-assessora especial de Guedes, passou a representar a OnilX em reuniões na CVM. Segundo dados da Agenda Transparente, ela se reuniu seis vezes com autoridades da comissão. Em 1º de abril, o colegiado negou, por maioria de votos, o pedido para revogar a ordem cautelar.

Na mesma decisão, a CVM aceitou por unanimidade esclarecer que a proibição não alcança a intermediação simples de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT quando não houver promessa de rendimento nem contrato de investimento.

Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo. A OnilX afirma, em nota publicada em seu site, que é regular e confiável, tem CNPJ ativo, sede no Brasil e cerca de cinco anos de atuação no mercado de ativos virtuais.

A empresa diz oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas. Também sustenta que a decisão da CVM não proibiu todas as suas atividades e que não atua como gestora de investimentos, não promete rentabilidade fixa nem oferece contratos de investimento coletivo.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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