Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
PF aponta triangulação de R$ 6,1 milhões do contrato de wi-fi de SP e indícios de lavagem de dinheiro em entidades ligadas ao filme Dark Horse
Foto: Reprodução/Redes Sociais e Rodrigo Rodrigues/g1
Brasil

PF vê possível triangulação de R$ 6,1 milhões ligada ao filme Dark Horse

Relatório cita repasses do Instituto Conhecer Brasil a empresas terceirizadas e posterior transferência para entidade ligada a Karina da Gama.

A Polícia Federal identificou indícios de uma triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama. As informações estão no relatório que embasou a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para autorizar a operação contra a produtora do filme Dark Horse nesta quinta-feira (10).

De acordo com a decisão, os valores saíram do Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina, passaram por empresas terceirizadas da entidade e depois chegaram à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização social da cultura também ligada à empresária. A PF aponta possível desvio de recursos e lavagem de dinheiro.

Valores citados pela investigação

As empresas envolvidas prestaram serviços no contrato de wi-fi de R$ 157 milhões firmado pelo ICB com a Prefeitura de São Paulo. Entre elas estão a Complexsys Soluções Integradas Ltda. e a Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda., do casal André Feldman e Débora Gomes Feldman.

Também aparecem a Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda., do empresário William Silva Ferreira, e a Distribuidora de Produtos LMS Ltda. Segundo a investigação, os repasses para a ANC foram:

  • Complexsys: R$ 2. 626.949,69 e R$ 1. 308.986,33;
  • Ultra IP: R$ 1.336.201,50;
  • Fastfuture: R$ 603. 136,12;
  • Distribuidora LMS: R$ 300.000,00;
  • Total: R$ 6.175.273,64.

Flávio Dino afirmou no documento que a ANC aparece como destinatária recorrente de recursos pagos por empresas financiadas pelo ICB. Para o ministro, as movimentações indicam possível retorno de recursos públicos à esfera dos responsáveis pela organização.

André Feldman, Débora Gomes Feldman e William Silva Ferreira foram alvo de busca e apreensão da PF nesta quinta-feira (10) e estão proibidos de deixar o Brasil.

O que dizem os citados

A defesa de Karina da Gama informou que apresentou reclamação constitucional à Presidência do STF. Os advogados disseram que a medida não discute o mérito da investigação e que a empresária entregou mais de 20 mil laudas de documentos à PF na última sexta-feira. A defesa também afirmou confiar na Suprema Corte e defender a autoridade das decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural.

A Complexsys declarou que os recursos recebidos foram usados apenas na manutenção da rede de wi-fi de São Paulo e negou vínculo com o financiamento do filme. A empresa também disse que perícia independente não apontou relação entre seu contrato e a produtora Go UP.

A Prefeitura de São Paulo negou relação entre programas municipais e a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A administração afirmou que a obra não recebeu recursos municipais e que não identificou irregularidades na assinatura e na execução do termo de colaboração com o ICB.

A prefeitura informou ainda que o Programa Wifi Livre tem 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados. Segundo a gestão municipal, a Controladoria Geral do Município acompanha as investigações e instaurou procedimento em maio de 2026, que segue andamento.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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