Rio de Janeiro, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Brasil

Planilhas apreendidas pela PF apontam pagamentos milionários a aliados de Bolsonaro

Registros ligados a Adilsinho citam políticos e partidos; valores associados a agentes políticos passam de R$ 29 milhões.

Planilhas apreendidas pela Polícia Federal com Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, indicam pagamentos de mais de R$ 10 milhões a aliados próximos da família Bolsonaro. Os registros são analisados em uma investigação sobre uma possível estrutura de cooptação de autoridades pelo crime organizado no Rio de Janeiro.

Os documentos foram recolhidos em novembro de 2022, durante uma operação que investigava a venda de cigarros ilegais no Rio de Janeiro. Em 2026, eles voltaram a ser examinados na Operação Unha e Carne, que apura a atuação do crime organizado na política fluminense.

As planilhas mencionam 61 pessoas, em sua maioria políticos e partidos. Parte dos nomes aparece apenas por codinomes, o que dificulta a identificação dos destinatários. Os valores relacionados a agentes políticos ultrapassam R$ 29 milhões, mas os registros não esclarecem quando os supostos pagamentos teriam ocorrido.

Nomes e valores citados

Entre os políticos e aliados ligados à família Bolsonaro aparecem Cláudio Castro, com R$ 3,63 milhões; Rodrigo Bacellar, com R$ 5,43 milhões; Hélio Lopes, com R$ 323,2 mil; Alexandre Ramagem, com R$ 91,8 mil; e Gutemberg Fonseca, com R$ 727,9 mil.

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, é associado ao codinome “Barba”. A defesa nega que ele tenha recebido dinheiro de Adilsinho e contesta a identificação. Os advogados também afirmam que uma Mercedes encontrada em uma operação foi cedida temporariamente por uma concessionária para avaliação, devolvida depois e nunca comprada por Bacellar.

Cláudio Castro é citado como ex-governador do Rio de Janeiro. Hélio Lopes é deputado federal. Alexandre Ramagem é ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência. Gutemberg Fonseca foi secretário do governo Castro e candidato a deputado federal.

Relações políticas e investigação

A apuração da Polícia Federal considera que as anotações podem indicar uma estrutura de circulação de recursos para financiamento político formal ou informal. O relatório aponta que a organização dos beneficiários e dos valores pode permitir cruzamentos com dados bancários, fiscais e eleitorais.

Os registros também são relacionados às conexões políticas dos citados. Flávio Bolsonaro teria participado da indicação de Gutemberg Fonseca para cargos públicos. Hélio Lopes é apontado como próximo de Jair Bolsonaro, enquanto Alexandre Ramagem integrou a equipe de segurança do ex-presidente durante a campanha de 2018 e depois comandou a Abin durante o governo Bolsonaro.

Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar estiveram no Camarote Arpoador durante o Carnaval de 2024. O espaço pertence a Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho. A Polícia Federal também cita diálogos entre Adilson Coutinho e Bernardo sobre a importância do empresário na organização criminosa e discussões a respeito da formação de uma nova cúpula do jogo do bicho.

Castro apareceu em fotos no camarote ao lado do ex-deputado estadual TH Joias. Ramagem também frequentou o local acompanhado da esposa. A presença no espaço, isoladamente, não constitui prova de envolvimento no esquema investigado.

Defesas negam recebimentos

A defesa de Cláudio Castro afirma que ele não recebeu pagamentos de Adilsinho. Os advogados dizem que os serviços gráficos contratados na campanha de 2022 foram declarados à Justiça Eleitoral e tiveram as contas aprovadas.

Rodrigo Bacellar e Gutemberg Fonseca também negam qualquer relação ou recebimento de valores de Adilsinho. Fonseca afirma que nunca encontrou o bicheiro e não recebeu pagamentos para sua campanha.

Hélio Lopes disse não reconhecer os valores registrados. Sua assessoria declarou que as receitas e despesas da campanha de 2022 foram informadas à Justiça Eleitoral e que as contas foram aprovadas. A defesa de Alexandre Ramagem foi procurada, mas não respondeu.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5