RIO DE JANEIRO — A Delegacia de Defraudações do Rio de Janeiro investiga desde maio possíveis irregularidades na recuperação judicial do Vasco. O inquérito examina principalmente os cálculos de um crédito reivindicado pelo ex-jogador Max e a atuação de Alan Belaciano, atual presidente da Assembleia Geral do clube e antigo advogado do atleta.
A cobrança apresentada no processo teria subido de aproximadamente R$ 2,5 milhões para cerca de R$ 8 milhões. Max já prestou depoimento e disse que seus atuais advogados apontaram a possibilidade de a ação alcançar aproximadamente R$ 8 milhões. Pelas regras da recuperação judicial, porém, afirmou que teria direito a receber um valor próximo de R$ 5 milhões.
A Polícia analisa os cálculos e os documentos para verificar como o crédito chegou ao montante registrado e se foram incluídos valores que não deveriam fazer parte da cobrança.
Atuação de Belaciano e versões sobre a dívida
Belaciano representou Max quando a ação foi iniciada, em 2016, e deixou oficialmente a defesa no ano seguinte. Ele afirmou ter participado de audiências em 2017 e 2019 a pedido do ex-jogador. Os investigadores querem esclarecer até quando essa participação continuou, qual foi o papel do dirigente após sua saída formal e se ele participou de negociações relacionadas ao crédito.
Ex-dirigentes do Vasco relataram à Polícia que receberam alertas sobre uma possível irregularidade no balanço de 2025. Também disseram que Belaciano se ofereceu para intermediar conversas entre o clube e advogados trabalhistas durante as negociações.
A administradora judicial Adriana Zamponi apresentou outra versão. Segundo ela, Vasco e SAF já reconheciam uma dívida próxima de R$ 7,9 milhões com Max. Novos cálculos teriam elevado o valor para aproximadamente R$ 8 milhões. Adriana afirmou ainda ter se surpreendido com a mudança de posição do Vasco e da SAF sobre o crédito.
O Conselho Fiscal da SAF já havia solicitado uma apuração sobre possível conflito de interesses envolvendo Belaciano. O órgão também citou outros seis créditos contestados pelo Vasco. Juntos, os sete processos envolvem aproximadamente R$ 10,8 milhões.
Até o momento, a Polícia não concluiu que houve fraude ou participação irregular. O inquérito segue aberto, com análise de documentos e novos depoimentos. A Delegacia de Defraudações ainda pretende ouvir Alan Belaciano, o presidente Pedrinho e outras pessoas antes de encerrar a apuração.







