GOIÂNIA — A falta de uma legislação específica para retrofit é apontada por Felipe Melazzo, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), como um dos obstáculos à recuperação de prédios antigos no Centro de Goiânia. Para ele, as regras atuais não se encaixam em construções feitas sob normas diferentes e dificultam a modernização dos imóveis.
O dirigente defende a criação de mecanismos que permitam adaptar edifícios históricos sem ignorar suas características. Também pede incentivos fiscais e apoio aos proprietários, já que a conservação dessas construções tem custo elevado. Na avaliação de Melazzo, o poder público e a iniciativa privada precisam atuar dentro de um plano de Estado, e não de ações isoladas de governo.
A compatibilização entre normas técnicas, concessionárias e órgãos públicos também aparece entre as medidas necessárias. Melazzo citou a NT41, que trata da requalificação de prédios, e afirmou que suas exigências precisam dialogar com edifícios construídos em 1920 e 1930. Ele mencionou ainda a necessidade de envolver a Equatorial, a RMTC e a Saneago em intervenções que podem atingir instalações antigas.
Moradia depende de serviços
A retomada habitacional, segundo o presidente da Ademi-GO, exige mais do que a oferta de imóveis. O Centro precisaria contar com equipamentos e atividades para o dia a dia dos moradores, como um Cmei (Centro Municipal de Educação Infantil) e uma feira.
Melazzo também atribui parte da perda de competitividade comercial a decisões que afetaram o acesso à região. Entre os pontos citados estão o limite de velocidade de 40 km/h, a proibição de estacionamento, a faixa azul e a presença de ambulantes nas calçadas. Ele comparou essas condições às encontradas em shopping centers, que oferecem estacionamento, climatização e arborização.
O programa Morar no Centro é visto por ele como uma das iniciativas capazes de estimular a ocupação da área. A proposta avançou na Câmara Municipal de Goiânia e recebeu uma emenda dos vereadores Romário Policarpo (Cidadania) e Anselmo Pereira (MDB), com incentivos tributários ligados a ISSQN, IPTU e ITBI.
Incentivos e reação do mercado
Melazzo defende um pacote de incentivos fiscais para estimular empresas e novos investimentos. Ele citou experiências de requalificação no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, no Centro de São Paulo e em Curitiba. Na avaliação do dirigente, a recuperação da atividade econômica pode compensar os benefícios concedidos com aumento da arrecadação.
O presidente da Ademi-GO afirmou ainda que o mercado imobiliário já reagiu às sinalizações do município. Segundo ele, a expectativa por investimentos e políticas de revitalização fez a valorização do metro quadrado no Centro superar a de outras regiões de Goiânia.
Campinas também foi incluída no diagnóstico. O tradicional polo comercial tem registrado aumento de imóveis disponíveis para locação, mas, para Melazzo, reúne praças e parques que podem apoiar uma futura recuperação urbana.








