PARANAGUÁ — Uma trincheira de infiltração instalada no Jardim Guaraituba passou a ser acompanhada por estações pluviométricas para medir a chuva acumulada e a capacidade de absorção do solo. A estrutura foi licenciada como uma Solução Baseada na Natureza e é apontada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) como alternativa para reduzir os alagamentos na comunidade.
O projeto é coordenado pelo Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb), sob responsabilidade do geógrafo Eduardo Vedor, professor associado da UFPR. A área fica na zona de amortecimento de um parque estadual e enfrenta um processo de regularização fundiária.
Dados para replicar a solução
Com o monitoramento, os pesquisadores pretendem calibrar modelos geoespaciais e avaliar a possibilidade de aplicar a tecnologia em outros bairros e municípios vulneráveis do Paraná. A proposta combina pesquisa acadêmica e conhecimento das comunidades periféricas, além de destacar o papel dos manguezais como infraestruturas naturais para a adaptação climática e a proteção de territórios costeiros.
A universidade articulou o diálogo entre o Ministério Público, o Ministério das Cidades, o Instituto Água e Terra (IAT), a prefeitura municipal e lideranças comunitárias. Essa mediação permitiu a licença ambiental necessária para a implantação da trincheira, projetada para conter a água das chuvas e mitigar os alagamentos.
Eduardo Vedor afirma que a adaptação climática exige mudanças urgentes nas cidades, no uso do solo e nas encostas. Para ele, períodos prolongados de chuva e o avanço de eventos extremos reforçam a necessidade de agir antes que a água provoque perdas humanas e econômicas.
Ana Paula Lourenço, bolsista técnica do Lageamb e mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade pelo Instituto Federal do Paraná, defende que as políticas públicas olhem para as áreas periféricas. “Quando você traz a periferia para o centro, também está trazendo populações que, na maioria das vezes, são a maior parte do Brasil”, afirma.








