O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o governo brasileiro de não enfrentar com firmeza o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em documento anual sobre o narcotráfico internacional, ele afirmou que as duas facções ajudaram a transformar o Brasil em um centro de circulação internacional de cocaína e pediu medidas urgentes ao presidente Lula da Silva (PT).
O relatório foi enviado ao Congresso norte-americano na terça-feira, 15, e divulgado nesta quarta-feira, 16. Trump comparou a atuação do Brasil à de outros países do Hemisfério Ocidental e afirmou que alguns governos adotam medidas mais firmes contra cartéis e o tráfico de drogas.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo”, afirma o documento. O texto também diz que o governo brasileiro precisa agir para impedir a expansão dos grupos.
PCC e Comando Vermelho foram classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. O enquadramento norte-americano, porém, não corresponde necessariamente à classificação jurídica adotada pelo Brasil.
Brasil não está entre os 23 países da lista
Apesar das críticas, o Brasil não aparece na relação de 23 países identificados formalmente pelos Estados Unidos como grandes produtores de drogas ilícitas ou rotas importantes do narcotráfico.
A lista reúne países da América Latina e do Caribe, além de Afeganistão, China, Índia, Laos, Mianmar e Paquistão. Entre os demais nomes estão Bahamas, Belize, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela.
O relatório afirma ainda que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia descumpriram determinadas obrigações internacionais ligadas ao combate às drogas. Essa classificação é diferente da crítica dirigida ao Brasil, que não foi apontado formalmente como país que teria falhado de forma demonstrável no cumprimento dessas obrigações.
Cobranças a outros governos
Trump também pediu mais empenho de México e Canadá para reduzir a entrada de drogas nos Estados Unidos. No Canadá, a cobrança envolve laboratórios clandestinos usados na produção de drogas sintéticas. No México, o governo norte-americano defende ações contra organizações do narcotráfico que controlam territórios.
A China também foi citada. Trump afirmou que Pequim precisa ampliar as medidas para reduzir o fluxo de substâncias usadas na fabricação ilegal de fentanil, apesar das conversas com o presidente Xi Jinping.
O documento menciona ainda Venezuela, Bolívia e Colômbia como países onde Washington identifica avanços e oportunidades de cooperação, embora considere necessárias novas ações. A avaliação é feita anualmente pelo governo dos Estados Unidos e encaminhada ao Congresso sobre produção, circulação e combate internacional às drogas.








