RIO DE JANEIRO — A criação de uma liga única no futebol brasileiro pode passar por uma revisão do modelo da Futebol Forte União (FFU). Os investidores afirmam estar abertos a negociar com a CBF, mas preservam o direito de barrar mudanças nos acordos de transmissão, ponto que a entidade considera incompatível com a estrutura planejada.
O impasse está ligado ao aporte de R$ 2,5 bilhões feito no projeto por Sports Media Entertainment (SME), General Atlantic e XP Investimentos. A administração do bloco é vinculada ao Condomínio Forte União (CFU), que tem um comitê responsável por analisar propostas sobre direitos de transmissão antes que elas sejam levadas à assembleia dos clubes.
“Coloquei R$ 2,5 bilhões nesse negócio, quero ter veto em mudanças absurdas, drásticas”, disse um executivo ligado a um dos investidores, sem ter a identidade divulgada. Ele afirmou que o mecanismo não busca interferir nas decisões esportivas ou administrativas, mas proteger a principal fonte de receita do investimento.
A CBF quer ocupar posição central nas negociações comerciais de uma eventual liga nacional. O receio é que clubes aprovem uma proposta e, depois, investidores externos impeçam sua execução. Hoje, os dois lados dependem um do outro: os investidores não podem obrigar os clubes a assinar um contrato, enquanto os clubes precisam do aval do comitê para determinados acordos.
O que pode entrar na negociação
Os investidores dizem que uma liga capaz de elevar o valor comercial do Campeonato Brasileiro também pode beneficiar a FFU. “Tudo é negociável” caso uma estrutura comercial demonstre potencial de sucesso nas vendas, afirmou o executivo.
A alternativa não é tratada, neste momento, como simples recompra dos direitos pelos clubes. A discussão envolve o valor econômico do negócio e as garantias para o capital aplicado. Os contratos da FFU preveem que a SME receba entre 10% e 20% das receitas de transmissão durante 50 anos. Corinthians, Cruzeiro, Fluminense e Internacional estão entre os clubes do bloco.
O executivo calcula que o investimento inicial já corresponda a mais de R$ 3 bilhões com os juros. O CFU também tem R$ 950 milhões em debêntures negociadas pela XP Investimentos, adquiridas por aproximadamente sete mil pessoas ou empresas.
Ainda não há negociação direta entre o CFU e a CBF. As partes, porém, veem espaço para aumentar receitas com a venda conjunta de propriedades comerciais, como direitos de transmissão, material esportivo e novos produtos.
A CBF fará na próxima segunda-feira uma reunião com representantes das Séries A e B, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O tema principal será a organização das competições. Os direitos da Série A da FFU estão distribuídos entre Globo, Record, CazéTV e Amazon Prime até 2029. A Libra, liderada pelo Flamengo, tem contrato exclusivo com a Globo pelo mesmo período.








