BRASÍLIA — “Ana, en Passant”, de Fernanda Salgado, abriu a mostra competitiva nacional de longas-metragens do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro com o Cine Brasília lotado. A estreia mundial ocorre depois de um processo iniciado em 2012, quando o projeto ainda era um roteiro participante do Berlinale Talent Campus. O filme foi desenvolvido ao longo de 14 anos, com coproduções com a França e Portugal.
A trama acompanha Ana, que nasceu em Belo Horizonte e se muda para Paris com a avó, interpretada por Zezé Motta, depois da morte da mãe durante o parto. Com a morte da avó, a personagem fica entre Brasil e França, tentando compreender a própria família e a perda de sua principal referência. Ao voltar para a capital mineira, ela encontra um apartamento deixado pela avó, ocupado por Alice, uma jovem grávida.
A convivência entre as duas revela dores ligadas à maternidade, à perda e às histórias familiares que ficaram sem resposta. Alice enfrenta uma gestação marcada pelo sofrimento, enquanto Ana lida com a ausência da mãe e com o afastamento de suas origens. O encontro cria uma relação de compartilhamento de medos, descobertas e lembranças.
A direção combina rotoscopia, colagens, animação em 2D e stop-motion. A mistura aparece em cenas nas quais Ana atravessa Paris cercada por imagens em colagem, enquanto ela permanece em outra dimensão visual. O recurso estabelece contrastes entre presença física e distância emocional, além de aproximar passado e presente.
O filme também reúne o trabalho de voz de Zezé Motta e Carlos Francisco, que interpreta um carteiro importante para as descobertas de Ana e para a relação com o bebê de Alice. O roteiro, porém, abre várias linhas narrativas e, em alguns momentos, desloca o foco para a história de Alice.
“Ana, en Passant” chega aos cinemas nacionais em 5 de novembro de 2026, distribuído pela Embaúba Filmes. A animação integra a competição de longas do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.








