Assucena sobe ao palco do Cultura Artística em 23 de setembro para interpretar “Índia”, álbum de Gal Costa lançado em um período de forte transformação estética, política e comportamental no Brasil. O tributo acontece três dias antes de Gal completar 81 anos — ela faria aniversário em 26 de setembro.
A apresentação marca uma nova etapa na relação de Assucena com a obra da cantora. Depois de seis anos à frente de As Bahias e a Cozinha Mineira e de um término ocorrido durante a pandemia, ela iniciou a carreira solo em 10 de dezembro de 2021, celebrando os 50 anos de “Fatal - Gal a todo Vapor”, de 1971. O espetáculo foi realizado no Teatro Paulo Autran, a convite do Sesc Pinheiros, no Dia Internacional dos Direitos Humanos.
A força de “Índia”
Assucena afirma que Gal foi fundamental em seu processo de transição de gênero e descreve “Fatal” como parte de seu caminho de renascimento artístico e pessoal. Em 2023, o Sesc 24 de maio a convidou para interpretar “Índia” no projeto “50 anos de disco históricos”.
Para a cantora, a releitura não poderia ser uma reprodução da gravação original. A proposta é apresentar seus próprios prismas sobre a obra, mantendo uma interpretação autêntica de um disco que considera um marco sonoro, estético, político e comportamental.
“Índia” ganhou produção musical de Gilberto Gil e direção artística de Wally Salomão. A capa, fotografada por Antônio Guerreiro, foi envolvida por um invólucro azul depois que a censura impediu a venda do álbum com a imagem original. No palco, Gal também rompeu padrões ao aparecer em semi-nudez, com o violão entre as pernas e uma postura que desafiava as expectativas sobre as cantoras daquele período.
O disco reúne bossa-nova, guarânia, samba e canções de compositores da MPB contemporânea. A faixa-título, de José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero, recebeu versão de José Fortuna. O álbum termina com “Desafinado”, de Tom Jobim e Newton Mendonça.
Gilberto Gil assina direção musical, violões e arranjos. Também participam da formação Rogério Duprat, Arthur Verocai, Dominguinhos, Toninho Horta, Robertinho Silva, Luiz Alves, Chico Batera, Wagner Tiso e Roberto Menescal.
Equipe do show
Rafael Acerbi assume a produção e a direção musical da apresentação. Davi Ramos é responsável pelo styling, enquanto Jeff Ares articulou o convite feito a Assucena. O desafio, segundo a cantora, é criar uma nova leitura de “Índia” sem repetir a imagem ou o comportamento associados à obra original.









