Belkiss Spencieri Carneiro de Mendonça foi pianista, professora, pesquisadora e escritora. Nascida na Cidade de Goiás (GO), em 15 de fevereiro de 1928, ela morreu em Goiânia (GO), em 17 de novembro de 2005, depois de construir uma trajetória ligada à música e à literatura.
Iniciou os estudos de piano com a avó, Maria Angélica da Costa Brandão, conhecida como Nhanhá do Couto. Mais tarde, estudou com Paulino Chaves, Joseph Kliass, Camargo Guarnieri e Arnaldo Estrella. Na Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, formou-se bacharel em música.
Belkiss foi cofundadora do Conservatório Goiano de Música, hoje Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás. A instituição foi fundada em 1956, e ela atuou como professora titular de Piano e diretora até agosto de 1977. Também desenvolveu estudos sobre Pedagogia do Piano, ministrou cursos de extensão e criou a especialização “Novas bases da técnica pianística”.
Música e pesquisa
A partir de 1946, passou a divulgar pesquisas sobre música brasileira em publicações, gravações, palestras, recitais, workshops e master classes. Como solista, participou de concertos, recitais e tournées com orquestras no Brasil e no exterior. Suas interpretações foram registradas em LPs e CDs.
Entre os projetos que idealizou estão Cinco Nacionais de Música, cinco grandes Festivais de Música e dois eventos de Música e Artes Plásticas. Como presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, promoveu o “Encontro Nacional de Compositores — Goiânia 97”, com direção artística do maestro Ricardo Tacuchian.
Escritora e dirigente cultural
Belkiss escreveu crônicas semanais durante dez anos para o jornal “O Popular”. Publicou “A invenção: história, forma e estética”, em 1972, “A música em Goiás”, em 1978 e 1981, e “Andanças no tempo”, lançado em 2006.
Foi membro fundador da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, em 9 de novembro de 1970, primeira presidente da Fundação Cultural de Goiás e presidente da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea. Também integrou a Academia Goiana de Letras, a Academia Nacional de Música e a Academia Brasileira de Música, no Rio de Janeiro, onde ocupou a Cadeira 17.
Em 4 de dezembro de 2002, recebeu o título de professor emérito da Universidade Federal de Goiás. Entre as homenagens estão os troféus Jaburu, Tiokô e Pelicano e as medalhas Couto Magalhães, José Plácido de Castro, Eleazar de Carvalho e Antônio Tavernard.
O escritor Miguel Jorge, da Academia Goiana de Letras, destacou a ligação entre a escrita e a música de Belkiss: “Tenho a exata impressão de que palavra também é um jogo musical.”








