Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Projeto resgata poemas de autoras esquecidas da literatura goiana
Brasil

Projeto resgata poemas de autoras esquecidas da literatura goiana

Antologia trilíngue reunirá mais de 150 poemas e terá distribuição gratuita para bibliotecas públicas e escolares.

Uma pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) busca recuperar a produção de mulheres que escreveram poesia em Goiás, mas ficaram fora das principais narrativas literárias. O projeto “A poesia escrita por mulheres em Goiás” dará origem a uma antologia trilíngue, com poemas em português, inglês e espanhol, distribuição gratuita e versão digital.

O levantamento é conduzido por pesquisadores da Rede de Pesquisa em Leitura e Ensino de Poesia. Mais da metade das autoras encontradas era desconhecida da própria equipe, segundo Olliver Robson Mariano Rosa, pesquisador do Instituto Federal de Goiás (IFG). Entre os nomes já conhecidos estão Cora Coralina, Leodegária de Jesus, Regina Lacerda e Yêda Schmaltz, mas a investigação também localizou escritoras em jornais, bibliotecas, antologias e acervos familiares.

A trajetória identificada começa antes de Cora. Honorata Minelvina Carneiro de Mendonça publicou textos em jornais e lançou um livro em 1875. Um de seus poemas apareceu em 1867 no Jornal das Famílias, no Rio de Janeiro. O único exemplar físico localizado pelos pesquisadores está na Biblioteca Nacional de Portugal. “É um livro fantasma”, resume Olliver.

A imprensa foi importante para a circulação dessa produção. Periódicos como A Rosa e O Lar preservaram poemas que não chegaram aos livros. Cora Coralina, por exemplo, aparece entre as redatoras de A Rosa em 1907. A pesquisa também encontrou registros de Dinorah Pacca, cuja produção se estendeu por décadas antes da publicação de seu livro.

Obras fora das antologias

A comparação com antologias da literatura goiana mostrou uma presença feminina reduzida. Em algumas das principais publicações analisadas, a participação de mulheres não chega a 30%. Para Maria Severina Guimarães, professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG), isso não significa que elas tenham produzido menos. “Existe muito das poetas mulheres. Escreveram muito”, afirma.

Segundo os pesquisadores, o acesso a editoras, espaços de divulgação, antologias e redes de reconhecimento influenciou quais obras permaneceram em circulação. Muitos livros foram preservados em bibliotecas, mas não podem ser emprestados ou são encontrados em exemplares únicos. A equipe consultou, entre outros espaços, a Estante do Escritor Goiano, mantida pelo Sesc, a Biblioteca Cora Coralina, a Biblioteca Marieta Telles Machado e a Biblioteca Pio Vargas.

A antologia deverá ter aproximadamente 1,2 mil páginas e mais de 150 poemas. A seleção considera a qualidade estética e a experiência provocada pelos textos. Em geral, cada autora terá de um a três poemas, embora algumas possam aparecer com quatro. Os pesquisadores reconhecem que o resultado não será definitivo.

Tradução e acesso

Setenta e cinco tradutores voluntários de diferentes partes do Brasil participam da versão em inglês e espanhol. O grupo reúne estudantes, professores, pesquisadores e profissionais. A publicação também terá três colaboradoras responsáveis pela revisão das traduções.

A previsão é de uma tiragem inicial de 300 exemplares, destinada prioritariamente a bibliotecas públicas e escolares. Parte dos livros será entregue às famílias das autoras que autorizarem a publicação. O conteúdo também deverá ser disponibilizado gratuitamente em plataformas digitais, como a Biblioteca do Futuro.

A equipe ainda trabalha na localização de familiares e herdeiros para obter as autorizações. O projeto recebeu R$ 50 mil da Fapeg, dos quais R$ 23 mil foram inicialmente destinados à produção do livro. A Rede de Pesquisa em Leitura e Ensino de Poesia existe desde 2007, e a proposta voltada às escritoras goianas foi elaborada em 2024.

Além dos poemas, a obra terá a seção “Escritas de Si”, com relatos de autoras como Darcy França Denófrio, Edir Guerra Malagoni, Lêda Selma, Maria Helena Chein, Lourdes Teodoro, Dheyne de Souza, Thaíse Monteiro, Kamilly Barros, Tarsilla Couto e Yani Rebouças.

A pesquisa não afirma ter localizado todas as poetas que escreveram em Goiás. A intenção é criar uma porta de entrada para novas leituras, estudos e possíveis reedições. Para Olliver, “Não adianta a gente produzir pesquisa para não ser livro”.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5