Sandra Maria apresenta em “Passos e Rastros” uma poesia que atravessa o sonho, a liberdade, a reflexão existencial e a relação com a natureza. Publicado pela Cânone Editorial, o livro tem 192 páginas e reúne poemas de diferentes tonalidades, entre o íntimo, o telúrico, o cosmopolita e o amoroso.
A autora estreou em 2017 com “Folhas Secas Sob Meus Pés”, obra de 188 páginas que já revelava uma escrita ligada à música e à formação de pianista. Desde então, consolidou um estilo baseado em versos contínuos, com pouca pontuação e ritmo próximo da oralidade. Interrogações, exclamações e reticências aparecem apenas quando consideradas essenciais ao sentido.
Entre o sonho e a liberdade
O aspecto onírico surge em poemas como “Mensageira da poesia”, “Páginas que voam”, “Penas” e “Lunação”. Neste último, a Lua aparece como uma bailarina prateada, em movimento ao redor da Terra, numa aproximação com a canção “Luiza”, de Tom Jobim.
A dimensão libertária aparece em textos sobre racismo, escravidão, desigualdade, ecologia, povos indígenas, feminismo e Transtorno do Espectro Autista. Em “Sua majestade a mulher”, a poeta convoca as mulheres a ocuparem o cerrado com poesia. Já “Pedras e espinhos” destaca a resistência de pessoas com TEA, enquanto “Mulher! Sororidade é preciso, agora!” assume um tom de mobilização feminina.
A natureza também ocupa lugar central no livro. Vulcões, montanhas, crateras, Lua, Sol, vento, correnteza, folhas, formigas e a planta vinca aparecem como imagens de queda, fuga, resistência e renascimento. A autora ainda aborda queimadas, a defesa dos Povos Originários e a transformação da paisagem.
Memória, afeto e homenagens
O livro é dedicado ao pai da autora, Jerônimo Geraldo de Queiroz, escritor, professor e reitor da Universidade Federal de Goiás na década de 1960. A memória familiar reaparece em “Travessias”, dedicado aos primos da família Queiroz após um encontro realizado em 2024.
Sandra Maria também presta homenagem a Bernardo Élis, Salvino Pires Sobrinho, Mauri de Castro, Eguimar Felício Chaveiro, Ademir Luiz, Heloisa Helena de Campos Borges, Rosy Cardoso e Eduardo Kobra. O poema dedicado a Kobra nasceu após a contemplação de um mural do artista no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo.
A sensualidade aparece em poemas como “Espelho meu” e “Traição”, nos quais o eu lírico explora o corpo, o desejo, o calor, a sombra e a noite. Ao reunir experiências íntimas, pautas sociais, imagens naturais e referências artísticas, “Passos e Rastros” organiza uma poesia de múltiplos caminhos dentro de um mesmo volume.








