SÃO PAULO — Empresárias estão mudando o mercado de bem-estar sexual ao criar produtos, serviços e conversas voltados ao prazer feminino, à saúde íntima e ao autoconhecimento. No Dia do Sexo, celebrado em 6/9, fundadoras de sextechs relatam como transformaram incômodos pessoais em negócios e enfrentam restrições digitais e preconceitos.
O setor reúne vibradores, lubrificantes, hidratantes íntimos, acessórios e experiências. As empreendedoras também investem em educação para ajudar mulheres a conhecer o próprio corpo, reconhecer limites e entender que o prazer não depende necessariamente da presença de outra pessoa.
Das lojas escondidas à autonomia
Larissa Ely, CEO e fundadora da Climaxxx, entrou no mercado em 2016. O que chamou sua atenção foi a falta de espaços que conversassem com a experiência de muitas mulheres. A empresa nasceu com uma loja na Galeria Metrópole, em São Paulo, e comercializa principalmente vibradores e acessórios, além de produtos como o Lubrificante Jambu Vibes, da Lubs.
Para Larissa, a autonomia passa por não transferir a outra pessoa a responsabilidade pelo próprio prazer. Ela também cita dificuldades para divulgar o negócio, já que plataformas digitais muitas vezes tratam conteúdo de bem-estar sexual como pornografia.
Marina Ratton, CEO e cofundadora da Feel, chegou ao setor pela saúde íntima. Em 2020, ela e Marilia Ponte ouviram quase 4 mil mulheres. Cerca de 70% relataram dor, ressecamento ou incômodo durante as relações. A marca nasceu com lubrificantes e hidratantes íntimos e adotou uma comunicação centrada em educação e saúde.
“90% das nossas vendas são online”, afirma Marina. Segundo ela, conteúdos sobre saúde íntima feminina são limitados, removidos ou têm o alcance reduzido nas plataformas. A empresária defende que falar de prazer exige também abordar condições como candidíase de repetição, ovário policístico e endometriose.
Produtos e novas conversas
Isabela Cerqueira criou, em 2020, um perfil no Instagram para falar abertamente sobre bem-estar sexual. A dúvida mais frequente das seguidoras — qual vibrador comprar — levou à criação da Good Vibres. A marca vende sex toys e outros produtos voltados ao prazer sexual.
Na Pantynova, Heloisa Etelvina e Izabela Starling começaram o negócio em 2018 ao lado de Derek. Mulheres lésbicas, elas não se viam representadas no mercado erótico e passaram a questionar a ideia de que o sexo deveria seguir um único roteiro. Para as fundadoras, consumidoras também passaram a observar materiais, segurança, tecnologia, ergonomia e design.
Natali Gutierrez fundou a Dona Coelha aos 19 anos, depois de perceber que o mercado tratava as mulheres como se tivessem os mesmos desejos. Hoje, quase 16 anos depois, a empresa mantém a escuta das consumidoras como parte do negócio e realiza anualmente a pesquisa “DR do Bem”. Para Natali, conhecer o próprio corpo também é uma forma de autocuidado e autonomia.








