CIDADE DE GOIÁS — Eurídice Natal e Silva nasceu em 23 de novembro de 1883 e entrou para a história das letras goianas aos 19 anos. Incentivada pelo pai, Joaquim Xavier Guimarães Natal, fundou em 12 de outubro de1904 a primeira Academia de Letras de Goiás, na antiga Cidade de Goiás, e foi aclamada presidente.
Filha de Ângela Bulhões Natal e Joaquim Xavier Guimarães Natal, Eurídice aprendeu a ler e escrever em família. A criação da academia reuniu intelectuais da literatura, da política e da cultura goianas, entre eles Joaquim Bonifácio, Augusto Rios, Godofredo de Bulhões, Leopoldo de Souza, Acrísio Gama e Silva, Marcelo Silva, Luís do Couto e Francisco Ferreira dos Santos Azevedo.
Literatura do cotidiano
A produção de Eurídice foi marcada pela observação da vida ao redor. O historiador Bento Fleury descreveu uma escrita centrada nas impressões pessoais e no cotidiano, com linguagem simples e próxima do coloquial. Entre seus trabalhos está Notas de uma Viagem ao Araguaia, publicado em 1904 e republicado em 1939, além de Traços biográficos de Guimarães Natal, dedicado à trajetória pública e familiar de seu pai.
Eurídice também traduziu Um idílio na savana, de Herick Siewicz, publicado em 1937. Sua produção literária e musical foi reunida em Coletânea, organizada por sua filha Eurydice Silva Juliano e publicada em 1975.
Em seu discurso de posse na Academia Goiana de Letras, em 30 de novembro de 1977, Rosarita Fleury destacou a atuação da escritora e a forma como ela se dirigiu ao público na cerimônia de instalação da academia, em 12 de outubro de 1904. Eurídice cumprimentou primeiro “Senhoras, senhoritas, senhores, prezados confrades…”, colocando as mulheres antes dos homens na saudação.
A escritora foi membro fundadora da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e é patrona da Cadeira 11. Casou-se aos 22 anos com Marcelo Francisco da Silva, deputado federal por várias legislaturas. Morreu em 3 de agosto de 1970, em Goiânia.








