Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Por que o voto ideológico deve vir antes do voto útil
Foto: divulgação/TSE
Brasil

Por que o voto ideológico deve vir antes do voto útil

A primeira votação deve expressar ideias e propostas; a segunda serve para escolher o candidato preferível diante do adversário.

A defesa do voto útil no primeiro turno contraria a lógica das duas votações eleitorais, segundo a análise apresentada no texto. A primeira deve servir para eleger o candidato que mais se aproxima das ideias e aspirações do eleitor. A segunda é o momento de fazer uma escolha pragmática, inclusive para rejeitar um adversário.

Karl Popper (1902-1994), filósofo austríaco-britânico, entendia que a democracia permite retirar do poder os piores governantes sem recorrer à força. Em regimes democráticos, essa alternância ocorre pelo voto. A existência de dois turnos amplia as possibilidades do eleitor: primeiro, escolher; depois, rejeitar.

Duas funções para o voto

No primeiro turno, o voto é ideológico. Um eleitor favorável à liberdade individual pode escolher um candidato que valorize o individualismo. Quem defende o socialismo pode votar em um nome associado ao coletivismo. Nessa etapa, mesmo um candidato sem chance de vitória deve receber os votos de quem compartilha suas ideias.

No segundo turno, o voto se torna pragmático. O eleitor pode apoiar alguém que não representa integralmente sua vontade, mas cuja vitória considera preferível à do adversário. É o voto útil, usado para ficar livre dos piores, e não para expressar uma escolha ideal.

A análise critica a falta de explicações sobre essa diferença. Candidatos que lideram as pesquisas, segundo o texto, não teriam interesse em incentivar o voto ideológico, porque precisariam ajustar compromissos para conquistar esses eleitores em uma eventual segunda votação. Por isso, o voto útil seria apresentado desde o início.

Um resultado de 40% no primeiro turno, por exemplo, mede a força eleitoral conquistada pelo candidato nessa etapa. Os votos recebidos no segundo turno não representam necessariamente uma adesão às suas ideias, mas uma preferência diante do rival. Somar essas escolhas à votação inicial distorceria a dimensão de sua eleição.

A proposta é que o eleitor vote com o coração na primeira votação, escolhendo razões e propostas que considera ideais. Na segunda, deve agir de modo pragmático. Essa separação preservaria a diversidade de ideias, daria espaço para novos candidatos e evitaria que a disputa se limitasse à escolha do menos ruim.

A filosofia política de Karl Popper defendia a sociedade aberta e instituições capazes de permitir a substituição de governos sem violência ou derramamento de sangue. Considerado um dos mais importantes filósofos da ciência do século XX, ele associava a democracia à possibilidade de mudar os governantes de forma pacífica.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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