Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Quinhentas oitavas: a penitência que virou história nas minas dos Goyazes
Brasil

Quinhentas oitavas: a penitência que virou história nas minas dos Goyazes

João Leite Ortiz pagou quinhentas oitavas de ouro após ser acusado de sacrilégio pelo vigário Pedro Ferreira Brandão.

Nas minas dos Goyazes, uma acusação de sacrilégio terminou com a entrega de quinhentas oitavas de ouro ao vigário Pedro Ferreira Brandão. O episódio envolveu João Leite Ortiz, homem ligado aos primeiros descobrimentos e aos negócios da região, e ficou conhecido pela combinação de autoridade religiosa, ouro e temor da excomunhão.

Brandão assumiu, no Ano da Graça de 1729, as funções de vigário da vara no arraial de Sant’Ana, que ainda se formava entre as encostas e o rio Vermelho. Além de administrar sacramentos, ele registrava limites, posses e propriedades de sesmarias. Batizados, casamentos, enterros e outros atos religiosos geravam emolumentos, espórtulas e conhecenças.

A cobrança pela absolvição

Ortiz foi informado de que havia cometido sacrilégio, mas não recebeu explicação sobre a suposta ofensa. Ao procurar o padre, afirmou que não tivera intenção de ofender a Deus e perguntou como poderia reparar o dano. Brandão respondeu que a prova de arrependimento custaria quinhentas oitavas de ouro.

A quantia pareceu excessiva a Ortiz. O vigário, porém, mencionou a possibilidade de excomunhão, ameaça que tinha peso na vida social e religiosa do arraial. O minerador acabou pagando. Depois, ao perguntar se estava reconciliado com Deus, ouviu que sim. Disse então que se sentia mais leve, mas observou que percebia o efeito sobretudo nas algibeiras.

A história se espalhou sem que ninguém soubesse exatamente qual fora o sacrilégio. A própria quantia passou a ser tratada como prova da gravidade da falta. O caso também alimentou comentários sobre a prosperidade do vigário, já que os moradores somavam os valores de cerimônias e registros paroquiais.

O episódio no púlpito

Em outra ocasião, Brandão pregava contra a maledicência quando Ortiz perguntou se uma demonstração de pouco respeito poderia ser considerada sacrilégio e se ainda valeria quinhentas oitavas. A pergunta provocou risos na igreja. Mais tarde, ao saber que o riso seria perdoado, Ortiz quis saber se o perdão seria gratuito. Para ele, aquilo parecia um milagre.

A lembrança do caso foi registrada, mais de um século depois, por José Martins Pereira de Alencastre nos Anais da Província de Goyaz, com desconfiança sobre a narrativa. Pedro Ferreira Brandão e João Leite Ortiz desapareceram com o tempo, mas as quinhentas oitavas permaneceram associadas à história religiosa e econômica dos primeiros anos do ouro.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5