Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Célia Coutinho transformou o Cerrado em memória, mito e resistência
Brasil

Célia Coutinho transformou o Cerrado em memória, mito e resistência

Poeta e artista visual goiana articulou literatura, paisagem e defesa da natureza em uma obra marcada pela voz feminina.

A poesia de Célia Coutinho Seixo de Britto aproximou o Cerrado da memória, da história e da experiência feminina. Em seus versos e textos, a paisagem goiana aparece como território de encantamento, mas também como espaço marcado pela colonização, pelo silêncio e pela perda da natureza.

Nascida na Cidade de Goiás, em 1914, Célia morreu em 1994, aos 80 anos, em Goiânia. Fez o curso Normal na cidade natal e se formou em Artes Visuais pela Escola Goiana de Belas Artes. Também foi professora, artista visual, biógrafa e cronista.

A autora integrou a Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás e a Academia Trindadense de Letras. Casada com Hélio Seixo de Britto, foi primeira-dama de Goiânia de janeiro de 1961 a janeiro de 1966.

Literatura como resistência

A produção de Célia combinou palavra e imagem, com atenção às paisagens, à história e às vozes femininas. A escrita também assumiu um papel social e ético ao transformar a literatura em forma de resistência ao esquecimento, ao silenciamento das mulheres e da natureza e ao apagamento das vozes do Cerrado.

Esse movimento aparece em “A Mulher, a História e Goiás”, publicado em 1982. O livro reúne biografias acompanhadas de ilustrações e apresenta uma linguagem descrita como carinhosa, viva e distante do modelo formal do gênero.

O Cerrado em forma de poema

No poema “As ninphas goianas e o papiro”, de 1974, a paisagem da Serra Dourada é apresentada por meio de ninfas, náiades e oréadas. A natureza e a divindade se misturam em um cenário mítico, até a chegada do homem, representado pelo bandeirante colonizador.

A entrada desse personagem rompe o idílio e marca uma transformação ecológica e civilizatória. As ninfas, antes associadas à fertilidade e à harmonia, passam a simbolizar a perda. No desfecho, elas fogem e se convertem em papiros, árvores ligadas ao papel e à escrita.

A metamorfose fecha o ciclo entre natureza e literatura: a paisagem vira texto, enquanto o texto devolve voz à paisagem. Por esse caminho, a obra articula mito, história e geografia e antecipa uma reflexão ambiental tratada como ecopoesia.

Livros publicados

Além de “A mulher, a história e Goiás”, cuja segunda edição foi lançada em Goiânia em 1982, Célia deixou manuscritos que deram origem a duas obras póstumas: “Estrangeiros Radicados em Vila Boa e Outras Terras de Goyaz” e “Nossos Vestidos Brancos”. Os livros foram lançados simultaneamente em Goiânia no ano de 2019.

O material foi resgatado, organizado, reescrito e complementado por Bento Alves Araújo Jaime Fleury Curado, escritor, geógrafo e pesquisador. Célia Coutinho Seixo de Britto permanece, assim, associada a uma escrita que transforma a dor da perda em beleza e reafirma a mulher como guardiã da palavra, da memória e da paisagem goiana.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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