Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Parecer sobre quilombolas antecedeu aprovação de política mineral em Goiás
Brasil

Parecer sobre quilombolas antecedeu aprovação de política mineral em Goiás

Órgão estadual afirmou não ter tido tempo para identificar comunidades e fazer escuta antes da sanção da lei de terras raras.

A Superintendência da Igualdade Racial do Governo de Goiás informou, em documento de 26 de agosto, que não conseguiu identificar comunidades potencialmente atingidas nem realizar a escuta institucional de comunidades quilombolas antes da análise da política estadual para exploração estratégica de terras raras.

O parecer foi anexado ao processo pela Secretaria de Desenvolvimento Social. Segundo o documento, o prazo recebido foi insuficiente para articular as unidades especializadas, identificar integralmente as comunidades alcançadas e avaliar possíveis impactos sobre povos e comunidades tradicionais.

Mesmo com a ressalva, o governador sancionou a lei em 27 de agosto, sem alterações e sem os vetos solicitados pela Coalizão em Defesa da Chapada dos Veadeiros.

Tramitação em dois dias

A Coalizão protocolou uma manifestação técnica e jurídica em 21 de agosto, com recebimento confirmado em 24. Até a sanção, quatro órgãos estaduais se manifestaram: a Secretaria de Meio Ambiente (SEMAD), a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), a Autoridade Estadual de Minerais Críticos (AMIC-GO) e a Casa Civil.

Os pareceres da SEMAD, da SEDS e da AMIC-GO foram emitidos em 26 de agosto. No dia seguinte, a lei foi sancionada.

A AMIC-GO apoiou a sanção e citou diretrizes como desenvolvimento, inovação e geração de emprego. O documento, conforme o texto analisado, não tratou das comunidades tradicionais mencionadas no parecer da Superintendência da Igualdade Racial.

Riscos previstos na política

A Lei nº 24.499/2026 estabelece, entre suas diretrizes, a verticalização da produção, da mina ao produto industrializado, e a agregação de valor dentro de Goiás. O texto não menciona rejeitos radioativos nem apresenta regras específicas para a gestão de tório e urânio.

A cadeia de terras raras inclui a etapa de beneficiamento e separação dos elementos, que pode exigir ácidos em larga escala e gerar rejeitos concentrados de tório e urânio. O processamento de monazita realizado no Brasil entre 1940 e 1950 produziu a chamada “Torta II”, armazenada em Itu (SP), na zona sul de São Paulo e na Unidade de Descomissionamento de Caldas, em Minas Gerais.

A produção brasileira de terras raras foi praticamente extinta em 2002. Estudos já apontavam, em 2014, o potencial de Minaçu e Catalão, em Goiás, para essa cadeia. A Mineração Serra Verde aparecia entre as iniciativas mapeadas por pesquisadores da USP.

Cerrado e comunidades tradicionais

O Dia Nacional do Cerrado é celebrado em 11 de setembro. O bioma é descrito no texto como berço das águas que alimentam as bacias do Tocantins-Araguaia, do São Francisco, do Paraná e do Paraguai.

A regulamentação da lei ainda depende de decreto. A Superintendência da Igualdade Racial registrou que não seria tecnicamente adequado afirmar se a política afetaria ou não povos e comunidades tradicionais do estado.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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