RIO DE JANEIRO — Bianca Andrade transformou a comunidade criada ao falar de beleza na internet em uma das bases da Boca Rosa. Quinze anos depois dos primeiros vídeos, gravados em um quarto no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, ela comanda uma empresa, mantém 18,5 milhões de seguidores no Instagram e afirma que prefere construir relevância a apenas acumular audiência.
A empresária, hoje com 31 anos, começou a produzir conteúdo quando ainda não havia uma indústria de influência estruturada. Ela ensinava maquiagem, apresentava produtos acessíveis e compartilhava soluções para meninas com uma realidade parecida com a sua. “Sempre fui eu mesma, sem personagem. Venho da favela, usava produto baratinho, dava dicas de gambiarra”, afirma.
Da comunidade ao negócio
A Boca Rosa nasceu em 2018, em parceria com a Payot. A colaboração reunia a visão de Bianca à estrutura industrial e de distribuição da empresa. Em 2024, a marca se tornou independente, e a empresária passou a investir diretamente no negócio.
Ao acompanhar os resultados da própria empresa, Bianca percebeu que havia subestimado o valor de sua influência. Ela também diz ter aprendido a gastar menos do que ganhava e a enxergar o dinheiro como instrumento de autonomia. Hoje, o patrimônio está concentrado em negócios e imóveis, além de sustentar novas possibilidades para a família e os colaboradores.
A estrutura empresarial inclui a Magnólia, agência criada para cuidar da comunicação de Bianca, com redatores, filmmakers e editores. Para ela, crescer também significa deixar de centralizar todas as tarefas. A empresária prefere se definir como comunicadora social, e não apenas como influenciadora, por considerar que uma audiência grande exige responsabilidade sobre os temas abordados e seus impactos.
Diversidade e próximos passos
A participação no Big Brother Brasil, em 2020, ampliou essa reflexão. Depois do programa, Bianca passou a falar também sobre equidade de gênero, diversidade e a presença de mulheres em posições de liderança.
A criação de uma cartela com 50 tons de base é apresentada por ela como exemplo de que diversidade precisa aparecer nos produtos e também pode ser uma decisão comercial. “Diversidade dá dinheiro. Existe demanda e reconhecer isso também é uma decisão de negócio.”
A Boca Rosa entrou no mercado de unhas em parceria com a Impala. Para os próximos passos, Bianca cita os setores de perfumaria e moda e diz querer que a empresa alcance a dimensão da Chanel. Ela também afirma que recebe sugestões do público para novos produtos, mas que o crescimento depende de estratégia e paciência.
O time da companhia tem 60 pessoas e passou a ocupar um escritório de 700 metros quadrados em São Paulo. Bianca reconhece que ainda há espaço para expansão e quer que a empresa avance sem depender de sua presença diária. A associação entre sua imagem e a marca, porém, continua central: um problema da Boca Rosa pode atingir Bianca, assim como questões pessoais podem afetar a empresa.
A empresária atribui parte da permanência de 15 anos em evidência à comunidade que a acompanha desde o começo. Para ela, entender como o público conversa, compra e se relaciona com as marcas segue sendo essencial para o futuro do negócio.









