SÃO PAULO — Bruna Linzmeyer interpreta Virginia Heinzel, uma coach ultraconservadora que orienta mulheres a seguir regras rígidas e a viver como “tradwifes” em Virtuosas, terror brasileiro dirigido por Cíntia Domit Bittar. O filme estreou no dia 24 de setembro.
Na trama, a personagem é apresentada como uma mulher sem empatia, capaz de manipular pessoas para alcançar seus objetivos. Linzmeyer classificou Virginia como a vilã mais assustadora que já interpretou e afirmou que o papel exigiu uma construção física marcada por gestos contidos, aparência impecável, cabelo alinhado e obsessão pela perfeição.
A atriz também pesquisou o movimento ultraconservador internacional das tradwives. Segundo ela, encontrou conteúdos que defendem submissão feminina e discursos armamentista, antivacina, racista e LGBTfóbico. A artista afirmou que se incomodou com a ideia de que exista apenas uma forma de ser mulher, ligada necessariamente à maternidade, ao casamento e à submissão.
“Sou uma mulher de fé e me entristeço ao ver a fé alheia sendo manipulada”, disse Linzmeyer. Ela negou que o longa tenha um discurso antirreligioso e contou que mulheres evangélicas, religiosas e pastoras demonstraram interesse em levar o filme para suas igrejas.
Terror e controle
O projeto nasceu de uma pesquisa iniciada por Bittar em 2016 e desenvolvida por mais de 10 anos. A diretora disse que o gênero do terror permite abordar as contradições presentes nos discursos das mulheres ultraconservadoras e o uso da religião como ferramenta de controle, associado a interesses políticos.
Bittar também afirmou que algumas situações mostradas no longa são quase transcrições do material pesquisado. Para ela, os discursos apresentados podem atrair pessoas em busca de conselhos e evidenciam desafios relacionados à liberdade, à segurança, à autonomia e à equidade das mulheres.








