Christopher Kane voltou aos holofotes no último domingo (20), três anos depois de fechar sua marca homônima. O estilista escocês estreou como diretor criativo da Mulberry, que também retornou às passarelas após quase uma década. O desfile de verão 2027 foi realizado durante a semana de moda de Londres.
A coleção aproximou as referências técnicas de Kane da herança da grife britânica, fundada em 1971. “Para mim, a herança é a base, e não uma limitação”, afirmou o designer.
Geometria e novas bolsas
Os recortes geométricos apareceram em peças de silhuetas majoritariamente boxy, com bordas cortadas a laser inspiradas no formato do Postman’s Lock, fecho conhecido da Mulberry.
As bolsas também seguiram essa linguagem. Os modelos ganharam formatos geométricos e mantiveram o fecho tradicional da casa. O Bayswater, modelo mais famoso da marca, surgiu em versões desconstruídas, incluindo uma opção com a aba frontal invertida.
Fetiche, couro e futebol
Kane levou elementos de fetiche para a alfaiataria. Mochilas cruzadas no peito, com fechos metálicos, evocaram a estética do harness, em diálogo com as texturas provocativas exploradas pelo estilista ao longo da carreira.
O couro, matéria-prima central da Mulberry, apareceu em modelagens rígidas e formas retas. Construções estruturadas e acabamentos precisos reforçaram referências tradicionais de marchetaria e chapelaria da grife.
A coleção também retomou os football casuals, peças casuais inspiradas no universo do futebol que fizeram parte do estilo da marca na década de 1990. Essa conexão apareceu em moletons com o logo repaginado e em referências a uniformes escolares e de rugby. Para Kane, esse universo está entre suas primeiras memórias relacionadas à Mulberry.
Por fim, os recortes deram forma a camadas que remetiam a escamas em vestidos feitos de organza iridescente.








