SÃO PAULO — A chuva intensa não impediu que fãs de Lynn Painter ocupassem os corredores da Bienal do Livro de São Paulo neste sábado (5). Sentados no chão e reunidos em uma fila, eles aguardaram a palestra da autora, dificultando o acesso à Arena Cultural durante boa parte da tarde. Os ingressos do dia estavam esgotados.
O público começou a se concentrar perto do palco por volta das 13h, mais de três horas antes da entrevista, marcada para as 16h30. Entre adolescentes, mães, pais e avós, muitos tentavam chegar à grade que cercava o espaço. A organização liberou a entrada aos poucos diante do volume de pessoas.
O aquecimento teve ondas feitas pelos fãs, batidas de leques e gritos de “Lynn, cadê você? Eu vim aqui só para te ver”. A autora entrou no palco com dez minutos de atraso, recebida por gritos e celulares levantados. Ela falou em português e agradeceu ao público: “Obrigada por sempre me fazerem sentir que sou bem-vinda!”.
Encontro com os fãs
Lynn Painter conversou sobre os personagens de seus livros, o processo de escrita e a adaptação para a Netflix de Melhor do que nos Filmes, publicado no Brasil pela Intrínseca. Quem ficou do lado de fora teve dificuldade para ouvir e passou a pedir que o som fosse aumentado.
A mediadora Mari Araújo presenteou a autora com um RG, em tom de brincadeira, por causa de suas visitas ao Brasil. A movimentação também atrapalhou a mesa Carolina Maria de Jesus: memória, legado e cinema. Gritos dos fãs dificultaram a escuta de quem acompanhava as informações sobre a cinebiografia da escritora.
A chuva também afetou o retorno do público. A fila do transfer gratuito entre a estação Portuguesa-Tietê e o Distrito Anhembi fazia voltas, enquanto os ônibus demoravam cerca de uma hora por causa do trânsito. A organização informou que o serviço havia sido pausado momentaneamente, mas o aviso não chegou a todos.
Dentro do evento, os corredores estavam mais espaçosos que na edição de 2024, mas ainda havia filas para pagamento e pessoas sentadas no chão. Embalagens de lanche, canudos e outros resíduos se acumularam ao longo do dia.
O sábado terminou com a participação de Alice Oseman, criadora de Heartstopper. A história em quadrinhos, publicada no Brasil pela editora Seguinte, foi criada em 2016, vendeu mais de 10 milhões de cópias em 39 países e também ganhou adaptação da Netflix.
A obra acompanha a descoberta do primeiro amor entre Nick e Charlie e aborda amadurecimento, sexualidade, saúde mental, amizade e superação de traumas. Durante a conversa, Oseman respondeu a perguntas sobre personagens e vivências LGBTs. “Amizade é muito importante nesse processo”, afirmou a autora.








