A Gucci apresentou em Milão uma coleção feminina marcada pelo encontro entre tradição, sensualidade, desejo e provocação. Sob o nome “The Store Show”, o desfile de Demna colocou a roupa no centro de uma experiência que misturava loja, espetáculo e estudo sobre o universo da marca.
Em uma carta enviada à imprensa antes da apresentação, Demna descreveu a Gucci como uma casa capaz de circular entre aristocracia e cultura pop, Florença e Hollywood, herança e desejo das massas. O cenário seguia essa lógica: convidados circulavam por quatro grandes salas com cortinas, araras, prateleiras e peças expostas ao alcance das mãos. Estátuas de inspiração clássica, cavalos e superfícies de mármore completavam o ambiente.
A apresentação começou com uma sequência masculina. Homens jovens desfilaram com gestos e posturas que ajudavam a construir personagens distintos. Calças cropped, mocassins sem meia, alfaiataria seca e volumes arredondados combinaram tradição italiana, juventude e provocação. Casacos curtos e volumosos apareceram com denim ajustado, reforçando o tom descontraído.
Tradição e rebeldia
Na entrada das mulheres, os códigos históricos da Gucci ganharam destaque. A bota de cano alto com inspiração equestre voltou em uma versão burguesa, acompanhando mulheres mais maduras e de presença austera. A ideia de respeitabilidade também apareceu na alfaiataria de ombros largos e pontiagudos, nas saias, nos casacos sobre camisas masculinas e nos acessórios com detalhes Horsebit em tamanhos variados.
A coleção, porém, não permaneceu nessa imagem clássica. Jaquetas amplas de couro, camisas de rugby e saias de pregas deslocaram referências escolares e tradicionais por meio de proporções menos previsíveis. Depois, as silhuetas ficaram mais ajustadas, com saias muito curtas e peças que destacavam o corpo. O momento mais femme fatale veio com um vestido preso por um pendente em forma de gota.
A maquiagem unificou homens e mulheres com olhos fortemente marcados e alongados em direção às têmporas. O efeito acrescentou sensualidade ao desfile, presente também nos gestos, nos olhares e na relação dos modelos com a plateia.
Na coleção, o burguês encontrou o sexual, enquanto a elegância dividiu espaço com uma energia mais agressiva. Para Demna, essas referências não precisavam ser organizadas em uma única imagem da mulher Gucci: poderiam coexistir.








