ITU — Desenhos de Tarsila do Amaral guardados por décadas voltam ao público na exposição Tarsila: Onde Nascem as Imagens, em cartaz no Museu FAMA. A mostra reúne cerca de 45 estudos e apresenta diferentes fases da produção gráfica da artista, de naturezas-mortas do início da formação a esboços para obras como A Cuca.
O conjunto vem de uma coleção de 204 folhas pertencente a Marcos Amaro, fundador do museu e curador da exposição. Como Tarsila utilizava os dois lados do papel, o acervo chega a 238 imagens. Alguns trabalhos foram montados para deixar frente e verso visíveis. Segundo o museu, trata-se da maior coleção de desenhos da artista.
As obras foram exibidas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1969 e depois permaneceram fora de circulação. De acordo com Marcos Amaro, um colecionador manteve os desenhos guardados por anos e não permitiu que eles entrassem no catálogo raisonné de Tarsila.
Da formação à antropofagia
A montagem não segue ordem cronológica. Uma das relações apresentadas é entre os estudos de Tarsila e a produção de Pedro Alexandrino, professor da artista e especialista em naturezas-mortas. A comparação destaca o uso de luz, sombra e volume nos desenhos.
A exposição também reúne trabalhos ligados a um balé planejado por Tarsila, Oswald de Andrade e Heitor Villa-Lobos, que nunca chegou ao palco. Entre os desenhos estão figuras como a Mãe-d’Água e o Saci, além de um estudo para A Cuca, com tatu, bichos e uma boneca indígena.
Outro núcleo mostra a relação entre desenho e fotografia na obra de Tarsila. A artista registrava trens, paisagens e os matacões da região de Jundiaí, usando as formas das rochas como referência para representar animais. O público encontra ainda um autorretrato de cabelo curto, de 1923, feito em grafite e crayon, além de um desenho de cemitério registrado na então União Soviética e ilustrações para livros de Osório César.
A mostra integra as exposições que marcam os 140 anos de nascimento de Tarsila, completados em 1º de setembro. A visitação ocorre no Museu FAMA, na Rua Padre Bartolomeu Tadei, 9, em Itu. O espaço funciona às quintas e de sexta a domingo, das 11h às 17h. O ingresso custa R$ 80; até 30 de novembro, todos pagam meia, no valor de R$ 40.








