A exposição pública de crianças durante conflitos entre os pais pode gerar consequências emocionais e jurídicas, especialmente quando envolve intimidade, saúde, rotina escolar, comportamento ou cuidados pessoais. A avaliação pode alcançar disputas sobre guarda e convivência, mas não significa, por si só, perda automática da guarda.
Luana Piovani e Pedro Scooby têm três filhos: Dom, Bem e Liz. Ao longo do tempo, assuntos ligados à criação e à convivência familiar foram comentados publicamente. Para Graziela Jurça Fanti, advogada mestra pela USP e sócia-fundadora do JFAC, os conflitos entre adultos não autorizam a divulgação irrestrita de informações pessoais dos filhos.
Impactos para crianças e adolescentes
A exposição pode causar constrangimento, vergonha, culpa e pressão para que a criança escolha um dos pais. Também pode afetar a relação dela com ambos e interferir na construção da autoestima e da identidade. O conteúdo publicado ainda pode continuar circulando, ser salvo ou recuperado anos depois, quando o filho já compreender melhor o alcance da exposição.
A especialista afirma que ser uma pessoa pública não transforma automaticamente os filhos em figuras públicas. Há diferença entre relatar divergências sobre a criação e revelar detalhes íntimos ou potencialmente constrangedores. Quanto maior o alcance dos pais, maior deve ser a cautela.
Reflexos na Justiça
Em processos de família, o Judiciário pode considerar a forma como os responsáveis preservam os filhos do conflito conjugal. O uso repetido da imagem ou de informações das crianças para atacar o outro responsável, mobilizar seguidores ou sustentar uma disputa pode ganhar relevância na análise da guarda e da convivência.
Graziela, porém, recomenda cautela antes de classificar uma exposição nas redes sociais como alienação parental. Ela destaca as controvérsias científicas relacionadas ao conceito e as críticas aos efeitos da legislação sobre mães que denunciam violência doméstica ou suspeitas de violência contra os filhos.
A advogada também ressalta que o poder familiar existe para proteção e cuidado, não como propriedade sobre a imagem e a intimidade da criança. Antes de publicar, os pais deveriam avaliar se a história é deles para contar, se o filho será identificado ou constrangido e se há necessidade real de tornar a informação pública.








