Com mais de 5 milhões de seguidores, funBABE construiu uma comunidade gamer formada por 88% de mulheres e transformou a própria trajetória em incentivo para outras criadoras. Ao longo desse caminho, porém, enfrentou ataques, críticas e a exposição de dados pessoais enquanto estava grávida da primeira filha.
“Pegaram telefone, endereço, dados de CNPJ. Na época eu estava grávida da minha primeira filha. Eu até pensei em entrar com um processo”, relembra funBABE.
Nas transmissões ao vivo, a criadora joga títulos como Among Us e The Sims. Ela conta que a presença feminina na comunidade ajuda a barrar comportamentos desrespeitosos: as próprias espectadoras identificam os ataques, retiram os responsáveis das lives ou respondem às mensagens.
A relação com o público também ganhou um sentido maior. funBABE recebeu relatos de garotas que começaram a jogar ou a produzir conteúdo depois de acompanhá-la. Para ela, quanto mais mulheres ocuparem esse espaço, mais comum será vê-las jogando, fazendo lives e criando histórias.
Da live para a literatura
O primeiro livro da criadora, Código Rosa, apresenta Cristal, personagem desenvolvida em Grand Theft Auto, o GTA, há quase sete anos. Criada inicialmente no ambiente virtual, Cristal passou por conflitos e formou uma gangue exclusivamente feminina.
Na literatura, funBABE conseguiu explorar pensamentos e sentimentos que não apareciam completamente nas transmissões. O projeto começou em 2021, foi interrompido durante negociações com uma editora e depois retomado. Para recuperar detalhes da trajetória da personagem, ela precisou rever lives de 12 horas.
A adaptação também mudou a lógica da história. Enquanto no jogo os personagens podem morrer e retornar de diferentes formas, o livro constrói consequências mais definitivas. Mesmo assim, a personalidade desenvolvida por Cristal ao longo dos anos foi preservada, e a autora deixou espaço para novas histórias.
O conselho para novas criadoras
funBABE afirma que o machismo ainda faz parte da realidade de mulheres que querem entrar nos games e na criação de conteúdo. Ela recomenda que iniciantes não desistam diante das críticas e mantenham a própria forma de criar.
“Não podemos nos limitar pelo machismo”, diz a criadora.








