RIO DE JANEIRO — A Nalimo voltou às origens em um desfile que revisita a trajetória da marca e apresenta o conceito Cidade Aldeia. Criada por Day Molina há dez anos, no Rio de Janeiro, a grife levou à passarela referências da infância da estilista na Ponta d'Areia, em Niterói, às margens da Baía de Guanabara.
A água é o eixo da coleção. Uma tapeçaria exclusiva faz referência às espumas da Baía, enquanto os materiais carregam a memória do território. Entre eles estão couro de peixe, sementes de açaí, bordados manuais, pinturas naturais e tramados em fibras como malva, palha de carnaúba e palha da Costa.
As técnicas foram transmitidas na família de Day, da bisavó à estilista, e aparecem combinadas com alfaiataria de silhuetas amplas. Ao lado das peças inéditas, a Nalimo também recuperou looks de outras coleções. Um deles foi usado por Anitta em uma homenagem a Oxum.
Cidade Aldeia
O desfile marcou a estreia de Limbert Mamani, de etnia Aymará, como diretor criativo ao lado de Day. Arquiteto e urbanista, ele já atuava nos bastidores da Nalimo, em áreas como logística, direção de arte e execução.
A parceria entre os dois orienta a coleção. O conceito Cidade Aldeia aproxima a cultura originária indígena da realidade urbana. A ideia aparece no look de abertura: um conjunto de alfaiataria off-white, de caimento amplo, acompanhado por um cinto artesanal com medalhão de contas, tramas e elementos suspensos. Entre eles está um peixe esculpido por Limbert.
A Nalimo também retorna a Paris para uma nova edição do Runway Vision, durante a Paris Fashion Week. Em 2025, Day Molina se tornou a primeira estilista indígena brasileira a desfilar na cidade.








