Aos 47 anos, Taís Araujo decidiu antecipar uma mudança de visual que imaginava fazer aos 50: cortou o cabelo bem curto e assumiu a textura natural, crespa. A atriz, que está diante das câmeras há três décadas, relacionou a decisão à liberdade de não deixar que sua imagem seja resumida ao cabelo.
“Não acredito que eu sou só um cabelo. Não posso ser só um cabelo”, pensou antes do corte. Na infância, Taís mantinha os fios presos e começou a alisá-los aos 11 anos. Para ela, a imposição do alisamento representava a ideia de que ser natural era ser feia e não pertencer.
A atriz conta que reencontrou a própria textura depois de um corte químico, já adulta. O momento, segundo ela, fez parte de um movimento coletivo de mulheres negras no Brasil. Hoje, Taís afirma que pode usar o cabelo crespo ou uma lace lisa sem deixar de reconhecer qualquer uma das escolhas como sua.
Três décadas de presença
Criada no subúrbio do Rio de Janeiro, Taís chegou à televisão aos 17 anos, como protagonista de Xica da Silva, da extinta Rede Manchete. Em 17 de setembro de 2026, a estreia da novela completou 30 anos. O papel fez dela a terceira atriz negra a protagonizar uma telenovela brasileira, depois de Yolanda Braga e Ruth de Souza.
“Foi um rápido disparador para uma carreira que poderia ter dado muito errado”, afirmou. A atriz também recordou que, quando chegou ao mercado, havia uma pessoa preta por novela e uma por capa de revista. Ao identificar o tokenismo, passou a cobrar presença negra também nas equipes de redação.
A trajetória inclui 17 anos como porta-voz da L’Oréal Paris e participações no Le Défilé, desfile anual da marca em Paris. Neste ano, Taís revelou o novo visual no evento e dividiu o palco com Anitta, Liniker e Bella Campos.
Entre teatro e televisão
No teatro, Taís vive a fase mais autoral da carreira com Mudando de pele, seu primeiro trabalho solo. A peça foi escrita pela inglesa Amanda Wilkin, dirigida por Yara de Novaes e montada com uma equipe quase inteiramente feminina. A produção passou por Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre com temporadas esgotadas e agora chega a casas de até 2.000 lugares, depois de apresentações em teatros de 600 lugares.
Na televisão, ela está em A nobreza do amor, trama das 18 horas da Globo. Taís interpreta Menemi, rainha do Reino de Zinga, aliada de Alika e inimiga do vilão vivido por Lázaro Ramos, seu marido fora da ficção.
Casados há 22 anos, os dois dividem a rotina enquanto gravam novela ao mesmo tempo. Para Taís, voltar a contracenar com o marido era o reencontro que mais queria. Mesmo após 30 anos de carreira, ela diz que entrar em cena ainda provoca frio na barriga: nada garante que uma atuação sairá incrível todas as vezes.








