O Manchester City foi considerado culpado por 114 violações financeiras, mas ainda não recebeu uma punição. O clube poderá recorrer até 2 de outubro, e só depois dessa etapa uma nova audiência deverá definir as sanções.
O regulamento da Premier League prevê multa, perda de pontos, suspensão e expulsão da competição. As regras também permitem que a comissão independente aplique outras penalidades esportivas. No entanto, não determinam de forma explícita a retirada de títulos conquistados por um clube condenado por infrações financeiras.
Por isso, os troféus do City não são anulados automaticamente. Ao mesmo tempo, a ausência de uma regra específica não impede necessariamente que a comissão avalie uma medida desse tipo. A decisão dependerá da interpretação do regulamento, da relação entre as infrações e os resultados esportivos e da punição considerada adequada.
A investigação começou em dezembro de 2018, após anos de questionamentos sobre as finanças do clube. As acusações foram formalizadas em fevereiro de 2023. A audiência durou 42 dias, terminou em dezembro de 2024, e o veredito foi divulgado em setembro de 2026.
A comissão concluiu que o Manchester City usou contratos comerciais considerados fictícios para inflar receitas e reduzir custos registrados. Segundo a Premier League, os mecanismos movimentaram mais de 900 milhões de libras entre 2009/10 e 2017/18. A liga também afirmou que parte das receitas de patrocínio era financiada pelo Abu Dhabi United Group (ADUG), ligado à propriedade do clube.
O período das principais irregularidades reconhecidas inclui três títulos da Premier League conquistados pelo City: 2011/12, 2013/14 e 2017/18. Esses campeonatos estão no centro da discussão sobre possíveis efeitos retroativos, mas nenhuma perda foi determinada.
Manchester United, Liverpool, Arsenal e Tottenham já haviam tomado medidas para preservar o direito de apresentar reivindicações por perdas alegadas. Everton e Nottingham Forest receberam deduções de pontos em processos recentes, mas o caso do City não tem precedente direto na Inglaterra pela quantidade de acusações, pelo período analisado e pelas conclusões da comissão.
O Manchester City rejeita as conclusões e afirma que não cometeu as irregularidades apontadas. Se a condenação for mantida após o recurso, uma nova audiência definirá se as consequências ficarão restritas ao futuro do clube ou alcançarão parte de sua história recente.








