Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
A função do camisa 9 vai muito além de marcar gols
Foto: IMAGO/News Images/ZUMA Press Wire/Sportfoto Rudel
Futebol

A função do camisa 9 vai muito além de marcar gols

Havertz, Jesus, Firmino, Alvarez e Kane mostram como o centroavante passou a influenciar o jogo de diferentes maneiras.

A posição de centroavante deixou de ser definida apenas pela quantidade de gols. Kai Havertz, Gabriel Jesus, Roberto Firmino, Julián Alvarez e Harry Kane mostram como o camisa 9 passou a ter responsabilidades diferentes conforme o modelo de cada equipe.

Havertz é um dos exemplos mais claros. Alto e forte no jogo aéreo, ele também ataca a área e recua para participar da construção. Depois de atuar como meia, atacante e falso nove em boa parte da carreira, encontrou no Arsenal uma função mais próxima da de centroavante.

No início da temporada 2026/27, foi titular nos quatro primeiros jogos de Premier League, marcou duas vezes e fez outro gol na vitória sobre o Manchester City pelo Community Shield. O impacto do alemão, porém, também aparece na pressão e na forma como orienta a saída adversária.

A pressão começa antes do passe

Mikel Arteta explicou que a posição inicial de Havertz depende do momento da partida, da situação da bola, das jogadas ensaiadas, da pressão adversária e até do pé dominante do goleiro rival.

Contra o Manchester City, Gianluigi Donnarumma era destro e tinha preferência por determinados ângulos de saída. Havertz se posicionou para dificultar a circulação pelo lado direito do goleiro italiano. A intenção não era necessariamente roubar a bola, mas induzir o lançamento para que o Arsenal disputasse a segunda bola com a estrutura preparada.

Diante do Sunderland, o goleiro Robin Roefs era canhoto, enquanto Kevin Danso participava da saída curta. Havertz ficou mais centralizado e, quando Roefs recebia, acelerava para um dos lados, fechando o ângulo e tentando forçar o passe longo.

Gabriel Jesus cumpre papel parecido na intensidade. Pep Guardiola já havia destacado a agressividade e a intuição do brasileiro para pressionar. Ao comparar Jesus com Julián Alvarez, o treinador também ressaltou no argentino a capacidade de interpretar as jogadas e atuar defensivamente.

No Arsenal, Arteta apontou que o sistema de recuperação da bola no campo adversário não funcionaria com atacantes que “só andam” defensivamente. Jesus acelera sobre o zagueiro, muda de direção, fecha uma linha e também pode voltar para pressionar o goleiro.

Na temporada 2025/26, uma análise registrou 28,22 pressões por 90 minutos para Jesus, entre os 5% melhores centroavantes nesse quesito nas cinco grandes ligas. O número de contra-pressões foi de 6,95 por 90 minutos, entre os 3% melhores.

Quando o 9 cria espaço sem finalizar

Roberto Firmino mostrou no Liverpool de Jürgen Klopp que um centroavante pode ser decisivo sem ser o principal finalizador. O brasileiro recuava, arrastava zagueiros e abria corredores para Sadio Mané e Mohamed Salah. Se o defensor o acompanhasse, surgia espaço atrás. Se não acompanhasse, Firmino recebia entre as linhas.

A movimentação não significava abandonar a função de camisa 9. Era justamente uma forma de exercê-la. Firmino marcou 111 gols pelo Liverpool e foi um dos principais jogadores da equipe que ganhou a Premier League e a Champions League, mas seu valor não estava limitado ao toque final.

Julián Alvarez representa outra possibilidade. Ao chegar ao Manchester City, foi destacado por Guardiola pela movimentação, pelo desejo e pelo trabalho sem bola. O argentino não precisou escolher entre marcar gols e cumprir tarefas táticas: oferecia as duas coisas.

Harry Kane leva essa transformação ainda mais longe. No Bayern de Munique e na seleção inglesa, passou a recuar até perto dos zagueiros para receber. Declan Rice e Elliot Anderson atraíam os meio-campistas, enquanto Kane criava dúvidas: se fosse acompanhado, abria espaço; se ficasse livre, recebia entre as linhas.

Jude Bellingham atuava em uma zona mais avançada, os pontas mantinham a largura e ameaçavam a profundidade. Essa dinâmica ajudou Bellingham a marcar sete gols na Copa do Mundo, enquanto Kane também chegou a sete. No Bayern de Munique, o inglês foi o maior artilheiro do país.

O centroavante moderno ainda precisa finalizar, disputar bolas e atacar a área. A diferença é que também pode bloquear uma linha de passe, conduzir a saída rival para um lado, criar superioridade no meio ou abrir espaço para outros atacantes.

Por isso, os gols continuam importantes, mas já não contam toda a história. O camisa 9 pode influenciar a jogada sem tocar na bola e, mesmo longe da área, continuar cumprindo sua função.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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