A saída de Richard Hughes para o Al-Hilal deixou Andoni Iraola diante de um Liverpool remodelado, caro e com lacunas claras no elenco. O clube investiu 217,5 milhões de libras em Jérémy Jacquet, Victor Muñoz, Ronald Araújo e Bradley Barcola, mas também perdeu experiência com as saídas de Mohamed Salah, Andy Robertson e Ibrahima Konate.
Iraola assumiu depois da demissão de Arne Slot, que não repetiu o desempenho da temporada de estreia e terminou a campanha passada em quinto lugar na Premier League. Agora, o treinador precisa fazer o time competir em alto nível mesmo com opções limitadas em setores importantes.
Lateral-direita segue sem solução definida
Jeremie Frimpong não convenceu nos dois primeiros jogos e acabou fora da equipe titular na partida mais recente. Ronald Araújo foi deslocado para a posição, mas chegou por empréstimo do Barcelona e é tratado como uma solução temporária. O Liverpool poderá contratá-lo em definitivo no próximo verão, por 47 milhões de libras.
A situação é agravada pelas ausências e limitações físicas de Conor Bradley, Joe Gomez e Giovanni Leoni. Dominik Szoboszlai também pode atuar no setor, embora isso reduza sua influência no meio-campo. O retorno de Bradley deve ampliar as alternativas, mas o defensor tem histórico de lesões e sua utilização precisará ser controlada.
Meio-campo perdeu Curtis Jones
Curtis Jones foi liberado para defender a Internazionale em uma negociação avaliada em 30 milhões de libras. Iraola admitiu que não queria a saída, mas o clube não trouxe um substituto antes do fim da janela. Lamine Camara, do Monaco, aparece como possibilidade para janeiro.
Wataru Endo não foi incluído na lista do Liverpool para a Liga dos Campeões, enquanto ainda há dúvidas sobre Ryan Gravenberch como solução permanente para a posição de número cinco. Alexis Mac Allister e Szoboszlai podem ser deslocados, mas isso aumenta a pressão sobre Trey Nyoni.
O jogador formado na base mostrou segurança durante a pré-temporada e nas entradas saindo do banco. A questão é saber se terá maturidade, concentração e força física para controlar uma partida inteira de 90 minutos sob pressão.
Quem ocupará a ponta direita?
Substituir Mohamed Salah é outro problema para Iraola. Cody Gakpo, Bradley Barcola, Victor Muñoz e Rio Ngumoha preferem atuar pela esquerda, o que obriga o treinador a adaptar peças no lado oposto. Muñoz já apresentou sinais positivos pela direita, e Barcola e Gakpo também podem ser utilizados ali.
Frimpong é uma alternativa caso Iraola queira aproveitar sua velocidade mais adiantado. Yankuba Minteh pode voltar ao radar em janeiro, enquanto Michael Olise seria uma possibilidade para o próximo verão, embora esteja no Bayern de Munique. Federico Chiesa, por outro lado, perdeu espaço na avaliação do treinador.
O Liverpool tem várias opções para preencher o setor, mas ainda não conta com um jogador claramente estabelecido na ponta direita. A quantidade de nomes disponíveis não elimina o desequilíbrio.
O trabalho de Iraola
O treinador terá de extrair mais do grupo atual, usando sua proposta ofensiva e seu trabalho tático para esconder as deficiências. Os retornos de Bradley, Leoni e Hugo Ekitike podem ampliar o elenco durante a temporada, mas não resolvem todos os problemas estruturais.
Ainda assim, Iraola conta com nomes como Virgil van Dijk, Alisson, Mac Allister, Szoboszlai, Ekitike, Alexander Isak, Florian Wirtz e Barcola. O desafio será transformar essa qualidade em regularidade, enquanto administra a falta de profundidade e a sequência de jogos da Premier League e do futebol europeu.








