A decisão sobre o Manchester City mudou o peso de declarações feitas por Pep Guardiola, Jürgen Klopp e José Mourinho ao longo dos últimos anos. Uma comissão independente considerou o clube culpado em 114 das 115 acusações apresentadas pela Premier League por supostas violações financeiras.
O City ainda não confirmou o resultado e informou que o processo continua em andamento. O clube deve recorrer, enquanto as possíveis sanções ainda não foram definidas. As acusações envolvem informações financeiras, pagamentos a jogadores e treinadores, regras de sustentabilidade e cooperação com a investigação. O Manchester City nega as denúncias.
A condição apresentada por Guardiola
Em maio de 2022, Guardiola explicou que seguia defendendo os dirigentes do clube por confiar nas explicações recebidas durante as investigações relacionadas à Uefa. Na época, o City havia sido suspenso por dois anos das competições europeias, punição depois anulada pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
“Se vocês mentirem para mim, no dia seguinte não estou aqui. Vou embora e não serei mais amigo de vocês”, afirmou o treinador.
Quando a Premier League apresentou as 115 acusações, em fevereiro de 2023, Guardiola manteve a posição pública. Em novembro daquele ano, ao ser questionado sobre o próprio futuro, disse que sua permanência não dependeria da divisão em que o time estivesse. Ele deixou o comando do City em maio desse ano, depois de uma década no clube, usando uma cláusula para encerrar o vínculo um ano antes do fim previsto, que ia até 2027.
Klopp relacionou o caso à corrida por títulos
Jürgen Klopp tratou o tema principalmente pela diferença de capacidade financeira entre os clubes. Na pré-temporada de 2019, citou Real Madrid, Barcelona, City e PSG como equipes capazes de investir constantemente no elenco.
Em julho de 2020, após o CAS derrubar a punição da Uefa contra o Manchester City, o então técnico do Liverpool classificou a decisão como um dia ruim para o futebol.
Na despedida do Liverpool, em maio de 2024, Klopp brincou com a possibilidade de uma redistribuição de títulos. O Liverpool havia terminado a Premier League com 97 pontos em 2018/19 e 92 em 2021/22, um ponto atrás do City nas duas temporadas. “Se vocês organizarem um desfile de ônibus, eu estou dentro! Não importa quanto tempo leve”, disse.
Mourinho cobrou punição ligada à culpa
José Mourinho apareceu no debate em declarações pontuais. Em 2020, após a anulação da suspensão europeia, defendeu que a punição deveria depender da comprovação de uma infração: “Se o Manchester City não é culpado, não deveria pagar nem uma libra. Se é culpado, deveria ser banido”.
Em outubro de 2024, no comando do Fenerbahçe, Mourinho falou sobre a possibilidade de o Manchester United receber o título de 2017/18 caso o City perdesse a conquista. O português havia levado o United ao segundo lugar naquela temporada.
Pouco mais de um mês depois, respondeu a uma comparação feita por Guardiola sobre os títulos da Premier League. Mourinho afirmou que preferia perder a vencer sem respeitar as regras e mencionou os processos envolvendo o City. Guardiola disse que a comparação havia sido uma brincadeira e reiterou que o clube deveria ser considerado inocente até a conclusão do processo.
Agora, a comissão independente apontou culpa em 114 das 115 acusações. O próximo passo será o recurso do Manchester City.








