Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Agrodefesa estuda flexibilizar calendário da soja em Goiás
Brasil

Agrodefesa estuda flexibilizar calendário da soja em Goiás

Mudança pode atender propriedades com chuva suficiente ou irrigação, enquanto produtores divergem sobre os riscos de plantar antes do fim de setembro.

A possibilidade de antecipar o plantio da soja em Goiás divide produtores e autoridades. A Agrodefesa avalia encurtar o vazio sanitário para permitir o cultivo em propriedades que tenham umidade suficiente no solo ou estrutura de irrigação.

O calendário atual mantém o vazio sanitário até 24 de setembro e autoriza a semeadura a partir de 25 de setembro. A medida busca reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática, doença que afeta a cultura. Por isso, uma eventual flexibilização deverá preservar o controle fitossanitário.

O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, disse que a análise já estava em andamento antes do pedido formal da Aprosoja. “Algumas regiões já têm, sim, umidade suficiente”, afirmou. A possibilidade não seria liberada de forma geral: produtores com irrigação ou áreas que receberam chuva suficiente seriam os principais beneficiados.

Produtores adotam estratégias diferentes

Em Rio Verde, o engenheiro agrônomo e produtor rural Roildes Ribeiro Benevides prefere manter o calendário tradicional. Ele trabalha há cerca de 30 anos com lavoura e considera arriscado plantar cedo demais por causa do fotoperiodismo, do calor e da possibilidade de veranico.

Alguns pontos da região receberam volumes próximos de 100 milímetros, mas Ribeiro avalia que a chuva ainda não garante segurança para a implantação da soja. “Está muito cedo. O clima está muito instável”, afirmou. Mesmo com uma eventual autorização, ele pretende iniciar o plantio somente a partir de 25 de setembro, caso haja umidade adequada.

Em Chapadão do Céu, Eduardo Peixoto também descarta o plantio imediato. O produtor cultiva cerca de 5 mil hectares de soja, além de cana-de-açúcar e milho safrinha, e espera começar a semeadura no início de outubro. Para ele, as chuvas recentes não foram suficientes para afastar o risco de plantar durante o período seco.

A decisão tem relação direta com a segunda safra. O plantio antecipado pode adiantar a colheita e abrir espaço para o milho, mas a falta de chuva após a germinação pode comprometer a lavoura. O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, apoia a flexibilização e afirma que o ganho de calendário pode permitir uma segunda safra de milho mais completa.

Clima e sanidade pesam na decisão

As previsões para Goiás ainda são incertas. Roildes Ribeiro afirma que não há consenso sobre a intensidade do El Niño e seus efeitos no Estado. Ademar Leal avalia que o fenômeno pode prejudicar mais o norte de Goiás e do Brasil, enquanto o sul e o sudoeste goianos podem ser beneficiados.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros em Goiás, coronel BM Washington Luiz, acompanha a possibilidade de uma sequência de meses mais secos. Ele citou uma previsão de 60 a 90 dias com pouca chuva e alertou para impactos sobre incêndios florestais, mananciais e abastecimento de água.

A Seapa estabeleceu o vazio sanitário de 2026 entre 27 de junho e 24 de setembro, com semeadura originalmente autorizada entre 25 de setembro e 2 de janeiro de 2027. A eliminação de plantas vivas, incluindo tigueras, é usada para reduzir a permanência do fungo da ferrugem asiática.

A soja tem peso relevante na economia goiana. A expectativa para a safra 2025/26 é de 20,1 milhões de toneladas, com produtividade estimada em 3,9 toneladas por hectare. Entre as safras 2016/17 e 2025/26, a produção cresceu 81,7% e a área plantada aumentou 57,2%.

A decisão sobre o calendário ainda depende das condições de cada propriedade. Para a Agrodefesa, a possível mudança é uma alternativa localizada, e não uma autorização para todo o Estado plantar imediatamente.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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