GOIÂNIA — Uma ordem atribuída a criminosos mudou a rotina do Residencial Real Conquista em 23 de novembro de 2015. O aviso determinava que ninguém permanecesse nas ruas a partir das 8h. Cerca de 12 mil moradores ficaram dentro de casa, enquanto comerciantes baixaram as portas, a escola foi esvaziada e o posto de saúde fechou.
O episódio aconteceu durante o quarto mandato de Marconi Perillo (PSDB) no governo de Goiás, responsável pela política estadual de segurança pública e pelas forças policiais. A ameaça teria sido dada após a morte de um jovem de 23 anos, em uma disputa entre grupos criminosos.
César Moraes mantinha um salão de beleza masculino no bairro e trabalhava das 9h às 20h. Naquele dia, chegou por volta das 7h30 para adiantar o serviço, mas recebeu de um adolescente o recado para fechar. Ele obedeceu e foi embora. “Não tinha como a gente ficar porque não sabia o que ia acontecer.”
A violência já fazia parte da rotina dos moradores. Meses antes, a filha de César havia sido assaltada enquanto saía para a escola. Áurea Oliveira, que vivia no Real Conquista havia 17 anos e mantinha uma loja de utilidades, também recebeu a ordem para fechar sob ameaça de depredação. Ela voltou para casa, enquanto os filhos foram orientados a não sair.
Maria da Conceição soube do fechamento pela televisão, pois já estava trabalhando. Na volta, encontrou uma operação policial no acesso ao bairro. Passageiros da linha 326 precisaram descer do ônibus antes de seguir viagem. Para ela, a presença de viaturas era incomum na região.
Os dados de 2015 registraram 2.651 homicídios dolosos em Goiás, com taxa de 40,1 assassinatos por 100 mil habitantes. Também houve 137 latrocínios e 25 casos de lesão corporal seguida de morte. Goiânia contabilizou 553 assassinatos, 30 latrocínios e três ocorrências de lesão corporal seguida de morte. Roubos e furtos de veículos somaram 11.613 registros.
O período também foi marcado por uma paralisação de policiais civis em 2013, que durou quase três meses, e por divergências sobre reajustes para carreiras da Segurança Pública. Criado em 2012, o Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual (Simve) foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2015.
Como os moradores veem o bairro hoje
Onze anos depois, César, Áurea e Maria afirmam perceber melhora na segurança do Real Conquista. Eles relatam mais presença policial, resposta mais rápida e redução de assaltos e roubos no transporte público.
César diz que atualmente trabalha em um posto de combustível e já não presencia a recorrência de assaltos que marcou o período anterior. Áurea afirma que voltou a circular à noite pelo bairro sem receio. Maria também percebe mudança na segurança em diferentes pontos da cidade.
Em 2026, Marconi Perillo disputa novamente o Governo de Goiás e apresenta propostas para a área. Entre as ações de suas administrações citadas estão a criação do Comando de Operações de Divisas (COD), a compra de equipamentos e viaturas e investimentos no sistema prisional.








