Rio de Janeiro, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
O atentado de Aparecida e a cruzada da direita evangélica contra Padroeira do Brasil
Brasil

Projeto contra título de Aparecida expõe histórico de ataques a imagens católicas

Comentário sobre proposta arquivada reacendeu o debate sobre ações políticas e episódios de violência contra Nossa Senhora Aparecida.

Um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, feito em 24 de setembro de 2026, reacendeu o debate sobre a existência de um movimento evangélico contrário ao título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Durante o programa GloboNews Em Pauta, ela afirmou que haveria pressão por um projeto de lei para retirar a honraria da santa.

A emissora pediu desculpas após pressão de bolsonaristas e informou que a proposta mencionada havia sido arquivada em 2008. O projeto, porém, foi apresentado pelo deputado e pastor Victório Galli, posteriormente nomeado assessor especial do governo de Jair Bolsonaro.

A discussão também se conecta à declaração de Flávio Bolsonaro de que pretende decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. O histórico de ataques a imagens católicas inclui episódios atribuídos a grupos que consideram o culto de imagens uma forma de idolatria.

A imagem e o atentado de 1978

A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi esculpida em terracota por volta do ano 1600 e encontrada por três pescadores no Rio Paraíba do Sul em 1717. A tradição católica afirma que a cabeça apareceu em uma segunda tentativa de pesca, depois de o corpo ter sido retirado da água. A pesca, antes infrutífera, teria se tornado abundante.

A escultura, originalmente uma representação de Nossa Senhora da Conceição, passou a ser venerada na casa do pescador Domingos Garcia. A imagem mede cerca de 36 centímetros e pesa 2,5 quilos. Em 1930, tornou-se oficialmente a Padroeira do Brasil por decreto assinado pelo Papa Pio XI.

Na noite de 16 de maio de 1978, durante um blecaute provocado por uma forte tempestade, Rogério Marcos de Oliveira invadiu o espaço do nicho na Basílica Velha de Aparecida. O evangélico, então com 19 anos, quebrou o vidro protetor e agarrou a estátua. O sacerdote que conduzia a missa gritou: “Estão roubando a santa!”.

A cabeça se desprendeu e se esfarelou quando Rogério saltou do nicho. Depois, ao arremessar o corpo da imagem no chão, ele a fragmentou em mais de 200 pedaços. O homem foi capturado após se cortar com o vidro. A Igreja Católica não apresentou denúncia, considerando os transtornos psiquiátricos atribuídos a ele, e não houve abertura de inquérito.

A restauração ficou sob responsabilidade de Maria Helena Chartuni, chefe do Departamento de Restauro do Museu de Arte de São Paulo. O trabalho durou mais de dois meses. Em agosto de 1978, a imagem retornou ao santuário.

Outros ataques e disputa política

Levantamentos posteriores indicaram que Rogério integrava um grupo protestante que defendia a destruição de imagens religiosas. Antes do atentado em Aparecida, ele já havia atacado uma imagem em uma paróquia de São José dos Campos.

Em 12 de outubro de 1995, durante o programa Show da Fé, o pastor Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, deu chutes e socos em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. O episódio provocou comoção nacional. Von Helder foi condenado por discriminação religiosa e vilipêndio a objeto de culto.

Novos ataques ocorreram em 2012, em Águas Lindas de Goiás; em 2014, em igrejas de Minas Gerais; em 2016, na Catedral de Santo Antônio, em Duque de Caxias; e em 2017, quando a pastora Zélia Ribeiro destruiu uma imagem em Botucatu.

Em 2021, o pastor Miguel Moreira destruiu e queimou uma imagem em Santo Antônio da Platina, no Paraná. No ano seguinte, uma imagem pública instalada em uma praça de Praia Grande foi destruída com um bastão.

O discurso anticatólico também apareceu entre lideranças políticas. Em 2021, o deputado estadual Frederico D’Ávila, aliado de Jair Bolsonaro, insultou o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, e o Papa Francisco. Em 12 de outubro de 2022, Bolsonaro visitou o Santuário Nacional de Aparecida durante a campanha eleitoral. A presença provocou críticas de setores da Igreja Católica, que contestaram o uso político do espaço religioso.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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