MARINGÁ — O filho de João Vitor Domingues Romeiro e da médica Gassi Paola de Souza Mazia ficou trancado sozinho no apartamento após o assassinato da mãe, segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). O bebê foi encontrado depois que um tio materno arrombou a porta ao ouvir o choro contínuo da criança.
A 23ª Promotoria de Justiça de Maringá denunciou Romeiro neste domingo, 27 de setembro. O advogado, de 25 anos, responde por feminicídio da ex-companheira, de 37 anos, e abandono de incapaz. Ele foi preso no mesmo dia do crime e permanece na Cadeia Pública de Maringá.
A acusação afirma que, depois de matar Gassi, Romeiro tomou banho, trocou de roupa, pegou a chave do carro da vítima e deixou o imóvel. Antes, teria trancado a porta de entrada, mantendo o bebê de oito meses sozinho no local. A criança ficou exposta a risco para a vida e a saúde até o resgate.
Acusação de feminicídio
O crime teria ocorrido em 5 de setembro de 2026, no apartamento da médica, no Bairro Zona 02, em Maringá. O intervalo considerado na denúncia vai de 14h33min a 20h19min, com maior probabilidade por volta das 20 horas.
O MPPR atribui ao feminicídio as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A denúncia aponta que o ataque ocorreu em ambiente residencial fechado, com uso de uma faca. Também registra 14 feridas pérfuro-cortantes no corpo da vítima, associadas à asfixia mecânica por esganadura.
Para a Promotoria, a motivação estaria ligada a um sentimento de posse e à não aceitação do fim do relacionamento. A acusação afirma ainda que o bebê estava no mesmo recinto durante o crime e que o caso ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar.
O abandono de incapaz é apontado como agravado por ter sido praticado por ascendente, já que Romeiro é o pai da criança. A denúncia descreve o bebê como pessoa sob autoridade, guarda e cuidado do acusado, sem condições de prover a própria subsistência ou se proteger dos riscos do abandono.








