RIO DE JANEIRO — Em 1989, Zuenir Ventura convidou um jornalista que trabalhava no Diário da Manhã, em Goiânia, para se mudar para o Rio de Janeiro. A proposta incluía ajuda para encontrar um emprego, possivelmente no Jornal do Brasil, e hospedagem inicial na casa do escritor.
A conversa aconteceu por telefone, depois que Washington Novaes passou a Zuenir o contato da redação. O jornalista goiano havia editado com Novaes um livro-caderno sobre a Ferrovia Norte-Sul, na segunda metade da década de 1980. No início, ele desconfiou que a ligação fosse um trote, porque não conhecia nenhum Zuenir.
Zuenir queria comentar a resenha do livro “1968 — O Ano Que Não Terminou”, cuja primeira edição é de 1989. Ele disse ter gostado do texto, especialmente da indicação de erros, prometeu fazer as correções e pediu desculpas pelas falhas.
O convite para o Rio
Durante o telefonema, Zuenir perguntou sobre a formação do jornalista. Soube que ele era formado em Jornalismo e História e havia iniciado Filosofia. O convite veio ao fim da conversa: “Se quiser, venha para o Rio de Janeiro e eu me encarrego de achar um local para você trabalhar, talvez no ‘Jornal do Brasil’. Pode ficar na minha casa, inicialmente”.
Dias depois, o jornalista contou a Washington Novaes sobre a proposta. A resposta foi favorável: “Se você quiser ir, eu recomendo. Zuenir será um bom guia para você no Rio”.
Orientado por Novaes, ele comunicou a Batista Custódio, editor-geral do Diário da Manhã, que deixaria Goiânia. Custódio interpretou a decisão como uma tentativa de conseguir aumento salarial. No dia seguinte, porém, ofereceu reajuste e pediu que a mudança fosse discutida novamente depois de dois meses.
O jornalista, que tinha 27 anos, aceitou o aumento e acabou não indo para o Rio. Depois disso, nunca mais falou com Zuenir Ventura, embora tenha lido todos os livros do escritor. Ele continuou conversando com Washington Novaes e atribuiu ao jornalista o aprendizado de prestar mais atenção aos assuntos de meio ambiente.
O arquivo do Diário da Manhã está no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. A resenha sobre o livro de Zuenir pode estar nesse acervo.








