Rio de Janeiro, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Editora que publicou Mafalda por 55 anos encerra atividades na Argentina
Foto: Sandra Cartasso/Página 12
Brasil

Editora que publicou Mafalda por 55 anos encerra atividades na Argentina

Ediciones de la Flor seguirá vendendo livros até outubro, após seis décadas de atuação no mercado argentino.

A Ediciones de la Flor, editora argentina que publicou Mafalda por 55 anos, vai encerrar as atividades depois de seis décadas no mercado. A empresa continuará vendendo livros até outubro, quando fechará as portas.

A decisão ocorre em meio à crise econômica que afastou leitores das livrarias, elevou o preço do papel e comprometeu a sustentabilidade das editoras. A diretora Ana María Miller, conhecida como Kuki, de 82 anos, também aponta a falta de apoio do governo à cultura. “O governo não tem nenhum respeito pela cultura e não aporta nada”, afirmou.

A saída de Mafalda

A obra de Quino deixou o catálogo da Ediciones de la Flor. Os sobrinhos do cartunista retiraram Mafalda da editora. Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, morreu em 2020, aos 88 anos.

Mafalda, porém, não foi a única marca da editora. Durante décadas, a casa publicou trabalhos de Quino e Roberto Fontanarrosa, além de obras de Fontanarossa, Caloi e Maitena. Kuki Miller entrou na empresa em 1970, mesmo ano em que foi lançado o primeiro livro de tiras de Mafalda.

A editora atravessou a ditadura argentina, de 1976 a 1983, e diferentes crises econômicas. A fase mais difícil começou em 2025, quando a empresa foi obrigada a demitir funcionários. Para Kuki, a decisão de fechar não se explica apenas pela perda dos livros de Quino, mas pela combinação entre o cenário econômico, o mercado e a estrutura editorial.

“As livrarias estão em uma situação extrema — não se vende nada”, disse a diretora. Ela pediu que as livrarias devolvessem os exemplares da Ediciones de la Flor e relatou queda nas vendas consignadas.

Fundada em 1966 por Daniel Divinsky, Tito Finkelberg e Jorge Álvarez, a editora publicou como primeiro livro a antologia “Buenos Aires — De la Fundacion a la Augustia”, com textos de Julio Cortázar, Rodolfo Walsh e David Viñas. Kuki Miller e Divinsky foram casados.

A empresa manteve milhares de exemplares não vendidos em depósitos. Parte desse acervo, com títulos de mais de 50 anos, voltou a ser procurada por leitores. Kuki afirma que muitos buscam livros que marcaram suas vidas há 30 anos.

A diretora diz ter orgulho do trabalho realizado e afirma que não teve coragem de vender a editora por receio de que fossem publicadas obras de baixa qualidade. O encerramento será acompanhado pela venda do catálogo preservado ao longo de décadas.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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