A Ediciones de la Flor, editora argentina que publicou Mafalda por 55 anos, vai encerrar as atividades depois de seis décadas no mercado. A empresa continuará vendendo livros até outubro, quando fechará as portas.
A decisão ocorre em meio à crise econômica que afastou leitores das livrarias, elevou o preço do papel e comprometeu a sustentabilidade das editoras. A diretora Ana María Miller, conhecida como Kuki, de 82 anos, também aponta a falta de apoio do governo à cultura. “O governo não tem nenhum respeito pela cultura e não aporta nada”, afirmou.
A saída de Mafalda
A obra de Quino deixou o catálogo da Ediciones de la Flor. Os sobrinhos do cartunista retiraram Mafalda da editora. Joaquín Salvador Lavado Tejón, o Quino, morreu em 2020, aos 88 anos.
Mafalda, porém, não foi a única marca da editora. Durante décadas, a casa publicou trabalhos de Quino e Roberto Fontanarrosa, além de obras de Fontanarossa, Caloi e Maitena. Kuki Miller entrou na empresa em 1970, mesmo ano em que foi lançado o primeiro livro de tiras de Mafalda.
A editora atravessou a ditadura argentina, de 1976 a 1983, e diferentes crises econômicas. A fase mais difícil começou em 2025, quando a empresa foi obrigada a demitir funcionários. Para Kuki, a decisão de fechar não se explica apenas pela perda dos livros de Quino, mas pela combinação entre o cenário econômico, o mercado e a estrutura editorial.
“As livrarias estão em uma situação extrema — não se vende nada”, disse a diretora. Ela pediu que as livrarias devolvessem os exemplares da Ediciones de la Flor e relatou queda nas vendas consignadas.
Fundada em 1966 por Daniel Divinsky, Tito Finkelberg e Jorge Álvarez, a editora publicou como primeiro livro a antologia “Buenos Aires — De la Fundacion a la Augustia”, com textos de Julio Cortázar, Rodolfo Walsh e David Viñas. Kuki Miller e Divinsky foram casados.
A empresa manteve milhares de exemplares não vendidos em depósitos. Parte desse acervo, com títulos de mais de 50 anos, voltou a ser procurada por leitores. Kuki afirma que muitos buscam livros que marcaram suas vidas há 30 anos.
A diretora diz ter orgulho do trabalho realizado e afirma que não teve coragem de vender a editora por receio de que fossem publicadas obras de baixa qualidade. O encerramento será acompanhado pela venda do catálogo preservado ao longo de décadas.








