RIO DE JANEIRO — A empresa do deputado estadual Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro, recebeu pelo menos R$ 1,58 milhão entre 2023 e 2025 da Mineração Santa Edwiges, pedreira registrada em nome de familiares do deputado federal Altineu Côrtes, também do PL-RJ.
No período, a Santa Edwiges forneceu materiais para a Secretaria de Cidades, comandada por Douglas Ruas até março de 2026. Três notas fiscais emitidas pela Saur Construção Terraplanagem e Locação para a pedreira registram serviços de transporte de brita realizados em dezembro de 2023, abril de 2024 e dezembro de 2024. Os valores foram de R$ 431,1 mil, R$ 449,8 mil e R$ 698,9 mil.
A Santa Edwiges foi subcontratada pela Secretaria de Cidades para fornecer o material usado em obras da pasta. Altineu Côrtes afirmou que a pedreira contrata várias empresas de São Gonçalo para transportar brita e negou que a Saur tenha participado de obras estaduais. Ele também disse que a Santa Edwiges apenas forneceu materiais, sem ter sido subcontratada pela secretaria.
Douglas Ruas declarou que a Saur “presta serviços somente para empresas privadas e nunca teve vínculos com contratos públicos”.
A FP Vieira, compradora de brita da Santa Edwiges, mantém R$ 708,8 milhões em contratos com a Secretaria de Cidades. Mais da metade desse valor, R$ 456,6 milhões, foi contratado durante a gestão de Douglas Ruas. Em 2024, a empresa liderou a lista de consumidores da pedreira e participou do Consórcio MUV com a Construtora Metropolitana S/A.
A Santa Edwiges informou, em 2023, que a FP Vieira estava entre suas principais compradoras. No ano seguinte, a empresa continuou no topo da relação. Relatórios da pedreira também apontaram a FP Vieira entre as maiores compradoras durante a gestão de Douglas Ruas.
Em maio, a Santa Edwiges registrou aumento de 517% nas operações após a chegada de Douglas Ruas à Secretaria de Cidades. No ranking da ANM, a empresa passou da 28ª para a 3ª posição no estado entre 2023 e 2024. No ranking nacional, avançou da 683ª para a 161ª colocação.
A pedreira fica na fazenda do pai de Altineu Côrtes, em São Gonçalo. A empresa está registrada em nome dos irmãos Marcelo e Ângela Coutinho, do filho Altineu Paesler Coutinho e do sobrinho Davi Decat Coutinho. A ACP Gestão Empresarial e Participações, pertencente ao herdeiro, também integra o quadro societário.
A Saur registrou lucro de 19,5 milhões em 2025. Em abril de 2024, comprou uma fazenda de 1,3 milhão de metros quadrados em São Gonçalo, em sociedade com a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa de Altineu Côrtes. Também adquiriu um galpão por R$ 5 milhões e outro imóvel por R$ 2,4 milhões, ambos em Duque de Caxias.
Em novembro de 2024, Douglas Ruas comprou seis lotes em São Gonçalo. A empresa ainda investiu em dois precatórios avaliados em R$ 1,7 milhão. Desde a fundação, em 2011, até 2022, a Saur não havia feito aquisições imobiliárias. Douglas Ruas não comentou as compras realizadas após assumir a Secretaria de Cidades.








