GOIÂNIA — No Encontro de Brechós de Goiânia, a busca por uma peça começa sem garantia de resultado. O público circula entre araras, toca tecidos, confere etiquetas, experimenta roupas e pode voltar várias vezes ao mesmo cabide. A ausência de reposição, tamanhos e modelos em série transforma a compra em uma atividade de atenção e acaso.
Criado em 2016 por Thaís Moreira, dona do Empório Armário, o evento surgiu quando os brechós ainda enfrentavam resistência e preconceito. A reunião de diferentes lojas ajudou a formar público e a mostrar valor em roupas que já haviam pertencido a outras pessoas. Com o tempo, o que precisava ser legitimado passou a ser procurado.
A expansão dos brechós também revela uma mudança na forma de avaliar os bens. Para Gesmar Vieira, coordenador do curso de Economia da PUC Goiás, preço é a quantificação monetária de um produto, enquanto valor depende da importância atribuída a ele por cada pessoa. Uma etiqueta antiga, um tecido de qualidade, uma marca encontrada por acaso ou a chance de não cruzar novamente com aquela roupa podem mudar sua percepção.
A lógica da moda circular convive com o excesso de consumo. A quantidade de roupas produzidas e compradas abastece os próprios brechós, mas esse mesmo mercado oferece aquilo que a produção em massa tem dificuldade de entregar: singularidade. Sustentabilidade e preços mais baixos também aparecem entre os motivos que impulsionam o segmento.
Valquíria Resende conhece essa transformação por diferentes lados. Criada pela avó, cresceu usando roupas de parentes. “Eu nunca tive coisas novas”, conta. Mais tarde, passou a acumular peças que não usava e começou a vendê-las em casa após o fim da pandemia. Assim nasceu o Val Shop Brechó, hoje na região central de Goiânia. A participação no Encontro de Brechós ampliou sua visibilidade e a clientela, segundo Valquíria.
No Gato Freud, brechó online de moda vintage, Lídia Keila seleciona e interfere nas peças. Com experiência como designer e estilista, ela trabalha com bordados, customizações e upcycling, transformando roupas com manchas, furos ou desgastes. A proposta é ressignificar itens que poderiam ser descartados e dar a eles outra identidade.
A mesma mudança aparece no Peça Rara Brechó, localizado na avenida mais cara da cidade. O passado da roupa permanece, mas o perfil de quem a compra se ampliou. O usado passou a circular por diferentes espaços e a ser associado também a desejo, personalidade e repertório.
Outro Encontro de Brechós acontece neste domingo, 13 de setembro, na Rua 15, no setor Central.









