Rio de Janeiro, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Emenda de Mario Frias bancou fraude em projeto de tiro de R$ 1 milhão
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Brasil

Entidade de tiro usou R$ 920 mil em empresas ligadas ao próprio presidente

A Associação Nacional Rifle recebeu R$ 1 milhão para projeto em Saltinho (SP) e destinou quase 90% a empresas de seu presidente.

A Associação Nacional Rifle (ANR) destinou R$ 920 mil a duas empresas que têm Rafael Buscariol Zampaulo, presidente da entidade, como sócio-administrador. Os pagamentos foram feitos com recursos de um projeto de incentivo ao tiro ao prato em Saltinho (SP), financiado após um termo de fomento com o Ministério do Esporte.

A associação recebeu R$ 1 milhão. Mais da metade do valor veio de uma indicação do deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao orçamento da União em 2025. A entidade também foi beneficiada por emendas do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).

A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA recebeu R$ 392 mil. De acordo com registros da Receita Federal, Zampaulo é um dos sócios-administradores das duas empresas.

Notas fiscais enviadas ao Ministério do Esporte registram despesas com materiais e serviços para a execução do projeto. Entre os gastos estão cerca de R$ 200 mil em 10 máquinas lançadoras automáticas, R$ 62,4 mil em óculos de proteção balística e R$ 90 mil em munições calibre 12.

Uma das empresas ligadas ao presidente da ANR também recebeu R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.

O termo de fomento determina que a execução siga o princípio da impessoalidade. Ao assinar o acordo, Zampaulo declarou que não contrataria, com os recursos da parceria, empresas do mesmo grupo econômico, com participação societária cruzada ou ligadas a dirigentes e funcionários da entidade.

Posições

Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos considerou a finalidade pública e critérios técnicos. O deputado declarou que a execução financeira, as contratações e a prestação de contas são responsabilidade da entidade executora e disse que cobrará esclarecimentos do Ministério do Esporte sobre a fiscalização.

O Ministério do Esporte informou que tomou conhecimento das possíveis irregularidades e afirmou que, se confirmadas, poderá determinar a glosa das despesas, a devolução dos recursos, a reprovação das contas e a abertura de Tomada de Contas Especial. A pasta também poderá encaminhar representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Mario Frias e o presidente da ANR foram procurados, mas não responderam.

Na quinta-feira (10/9), Mario Frias foi alvo de busca e apreensão por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em investigação sobre a relação entre emendas parlamentares e o custeio do filme Dark Horse. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. O deputado negou irregularidades e afirmou: “Vou colaborar com tudo que for pedido”.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5