Rio de Janeiro, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
O jogo, o bastidor, o placar
Falta de preparo atinge investigação de denúncias de assédio, mostra levantamento
Brasil

Falta de preparo atinge investigação de denúncias de assédio, mostra levantamento

Pesquisa da KPMG aponta insegurança entre apuradores, ausência de treinamento e falhas em canais e protocolos empresariais.

A estrutura para investigar denúncias de assédio ainda apresenta falhas nas empresas brasileiras. De acordo com a Pesquisa Nacional sobre a Maturidade no Combate ao Assédio no Brasil – Panorama 2026, 42% dos profissionais responsáveis pelas apurações sentem algum grau de insegurança no exercício da função.

O levantamento da KPMG também mostra que 26% desses investigadores nunca receberam capacitação técnica. Entre as empresas, 12% não promovem treinamentos sobre assédio, enquanto 25% realizam essas ações apenas de forma pontual.

Canais e protocolos

A ausência de procedimentos formais também aparece na pesquisa. Em 49% das organizações, não há um protocolo específico para investigar denúncias de assédio moral ou sexual. Outros 35% não contam com uma política que defina as medidas a serem adotadas quando uma denúncia é comprovada.

O levantamento aponta ainda que mais de 30% dos brasileiros afirmam ter sofrido algum tipo de assédio no último ano. Entre essas pessoas, 38% permaneceram em silêncio e 58% disseram não se sentir seguras para denunciar.

Para Rafael Mendes, CRO da LEME Inteligência Forense, a disposição dos trabalhadores para relatar condutas inadequadas aumenta a responsabilidade das áreas de compliance. “As pessoas estão mais conscientes dos seus direitos e cada vez mais dispostas a denunciar condutas inadequadas”, afirma.

Empresas têm recorrido a ferramentas que reúnem denúncias, investigações e informações sobre riscos. A análise conjunta dos registros pode ajudar a identificar padrões de comportamento, acompanhar a evolução dos casos e apoiar decisões preventivas.

A LEME desenvolveu o Farol da Integridade, plataforma que reúne gestão de denúncias, monitoramento de riscos, investigações e treinamentos. O sistema permite registros identificados ou anônimos e concentra as etapas de análise e apuração em um único ambiente.

Dados para prevenção

As informações registradas também podem subsidiar o levantamento de riscos psicossociais previsto na NR-1 e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A partir dos relatos, as empresas podem identificar situações que afetam o ambiente de trabalho e adotar medidas preventivas.

Mendes afirma que o compliance não deve ser tratado apenas como uma obrigação formal. “O maior erro é acreditar que compliance serve apenas para cumprir uma exigência legal”, diz.

A tecnologia, porém, não substitui a preparação de colaboradores, lideranças e equipes de investigação. Para o executivo, esses grupos precisam estar preparados para prevenir, identificar e tratar irregularidades.

Texto produzido pela Redação Arena em Foco com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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